por Felipe Cotrim

A maconha é um grande negócio no Estados Unidos e poderia ser no Brasil também. No ano passado, os americanos gastaram U$5.4 bilhões em maconha medicinal e recreativa, de acordo com uma nova estimativa da ArcView Market Research e New Frontier Data, dois grupos de pesquisa de mercado da indústria da maconha. A ArcView estima que as vendas cresçam 30% aproximadamente nos próximos cinco anos, com cada vez mais estados legalizando a erva. Califórnia, Nevada, Massachusetts e muitos outros estados vão decidir através de votação popular neste primeiro semestre se vão ou não legalizar a maconha recreativa.

Com um crescimento de 30% ao ano, a indústria da cannabis teria uma receita de U$22 bilhões em 2020. A ArcView encoraja os investidores a apostarem neste mercado: “A legalização da cannabis é um das maiores oportunidades de negócios do nosso tempo, e ainda é cedo para enxergar esse enorme crescimento”, escreveu o grupo em seu relatório de estimativa de vendas da maconha.

Para se ter uma ideia, os U$5.4 bilhões de receita do ano passado, é mais dinheiro do que os americanos gastaram em Doritos, Cheetos e Funyuns (o Cebolitos de lá) juntos, que equivale a U$4.9 bilhões, de acordo com uma pesquisa da Euromonitor. Parece que a larica está ficando em segundo plano, não é mesmo?

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Brincadeiras à parte, imagine como esses U$5.4 bilhões (ou R$20.9 bilhões na cotação atual) poderiam ser aplicados no Brasil. Poderíamos investir mais em educação e saúde, por exemplo, para ser o mais clichê possível, tendo em vista que ainda somos tão defasados nessas áreas em nosso país.

Lembrando que esses números astronômicos representam apenas o montante de cannabis vendida legalmente. Se as vendas ilegais de outros estados fossem levadas em conta, seria muito mais dinheiro, embora seja difícil saber quanto. Em 2012, especialistas em política de drogas estimaram que o o valor total do mercado, incluindo a maconha legal e a ilegal, esteja entre U$15 bilhões a U$30 bilhões.

Como a legalização da maconha beneficiaria vários setores da economia

Mas a cannabis não é legalizada nos Estados Unidos, pela lei federal a erva continua sendo ilegal o que prejudica muito a indústria. Por causa das restrições federais, a indústria da cannabis não tem acesso aos bancos, assim ela não podem tirar proveito dos benefícios fiscais que outros setores desfrutam. Além disso, a ameaça de uma intervenção policial ainda é motivo de preocupação. Devido a esses riscos, os investidores ainda se intimidam e os estoques de maconha caíram drasticamente em 2015.

Ainda com todos esses desafios, é difícil imaginar um cenário em que o mercado da maconha legal pare de crescer nos próximos anos. Os estados americanos que legalizaram só tiraram proveito até agora com a erva. Enquanto isso, esperamos que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que pediu vista no julgamento sobre a Lei de Drogas, devolva o processo para que o STF volte a julgar a descriminalização da maconha. Entretanto, não há previsão para que o ministro devolva o processo, portanto, ainda estamos longe de usufruir dos benefícios que a erva poderia nos trazer.

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