por Felipe Cotrim

Crianças que foram expostas à cannabis durante o período de gestação possuem um visão melhor, sugere um estudo publicado na Nature. Mas isto não significa que faz bem para seu bebê fumar maconha durante a gravidez.

Cientistas das universidades de Waterloo, Auckland e da Brown University, ficaram surpresos quando descobriram que a erva pode aprimorar a visão de crianças. Eles tiraram esta conclusão após realizarem um teste com um grupo de crianças de 4 anos de idade, que foram expostas a drogas como metanfetamina, álcool, nicotina e maconha antes do nascimento. Elas fizeram um teste de percepção visual de alto nível junto com um grupo de crianças que não foram expostas a nenhuma droga. Os cientistas observaram que as crianças que foram expostas ao álcool tiveram o desempenho prejudicado no teste, enquanto as expostas à maconha obtiveram um resultado significativamente melhor que as outras. Os resultados não apontaram nenhuma alteração na visão das crianças que tiveram contato com a nicotina e a metanfetamina.

“Ficamos surpresos com as descobertas iniciais”, disse Ben Thompson, professor da Escola de Oftalmologia e Ciência da Visão de Waterloo. “Isto mostra que a maconha e o álcool podem ter um impacto em um aspecto fundamental do processamento da visão em nosso cérebro. Mas apesar deste aparente impacto benéfico da maconha na visão, outras pesquisas mostram que seu uso durante a gestação pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro do feto”.

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O teste mede a habilidade das crianças em acompanhar um conjunto de pontos em movimento através de uma tela, apesar da presença de outros pontos que se movem de maneira aleatória. O vídeo exemplifica:

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O percentual de pontos em movimento aleatórios é aumentado, até que a criança não consiga identificar a direção que os pontos estão se movendo. Segundo Thompson, “a vantagem com este tipo de teste de visão, é que o desempenho pode ser medido com precisão”. “Esperamos que no futuro sejamos capazes de incorporar as imagens do cérebro com a percepção visual, para entendermos como estas drogas estão agindo nas regiões responsáveis pela visão no cérebro”, completa o professor.

 Thompson afirma que os resultados são esclarecedores, mas preliminares: “nós não sabemos como este efeito atinge outras partes do cérebro que processam a visão”.

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