*Resenha do Bem. Não contém Spoilers! :)

No último dia 21, foi oficialmente lançado Assassin’s Creed Chronicles: China para PC, Xbox e PS4. Para aqueles que não acompanham a série, esse é um spin-off que, diferentemente dos jogos principais da franquia, funciona no esquema de side-scroll e 2.5D. ACC: China é o primeiro de uma série de três jogos que ainda estão por lançar, tendo como cenário a própria China de 1526.
Ao contrário do que se diz por aí, esse não é o primeiro jogo em 2.5D da série. Em 2009 foi lançado o ACII: Discovery e, antes disso, foram vários os jogos para celular focados em deslocamentos laterais no melhor estilo Castlevania. ACC: China, porém, traz um estilo gráfico único e surpreendente, além da jogabilidade diferenciada, apresentando-se como um bom agouro para os próximos títulos que virão.

Assassin’s Creed

Eu estava ansiosa para jogar com a Shao Jun desde Assassin’s Creed Embers, quando a garota foi mostrada pela primeira vez ao lado de Ezio Auditore (meu personagem favorito!). ACC: China sai por R$30.00 na Steam brasileira, ficando num valor aproximado para os consoles. Confesso que preferiria ter jogado no PS3, mas, enquanto isso não é possível, mato a ansiedade pelo computador.

Não preciso esconder que grande parte de minha ânsia para jogar esse jogo se devia ao fato de a protagonista ser, mais uma vez, uma mulher! Depois de Aveline Grandpré, em ACIII: Liberation, minhas esperanças de que a Ubisoft (também conhecida pela desculpa de que “animar personagens femininas é muito difícil”) voltasse a trazer uma assassina como estrela de mais um título. Ser um spin-off não reduz a importância desse jogo, e é exatamente disso que vou falar hoje.

Assassin’s Creed Como o próprio título indica, o cenário dessa vez é a China. Somos levados para o ano de 1526, mais de 100 anos antes da queda da dinastia Ming, e Shao Jun, ex-concubina do imperador, é nossa grande protagonista. Apesar da história da China ser repleta de ganchos políticos o suficiente para desenrolarmos uma trama complexíssima, ACC: China opta por não mergulhar nesse universo, trazendo uma narrativa direta e sem muitas nuances de ordem histórica. O objetivo de Shao Jun é revelado logo no início e, ao contrário dos últimos protagonistas da série, você não oscila quanto à legitimidade do que é feito.
Como já dito, minha plataforma foi o computador. Infelizmente os controles não são nada fáceis. Experimente usar WASD para se mover enquanto segura o SHIFT para correr e o CTRL ao mesmo tempo, com a mesma mão. Bem, a menos que eu desenvolva um sexto dedo na mão esquerda, essa tarefa não é nada simples. O jogo também não apresenta a possibilidade de configuração dos botões, o que só torna a experiência muito mais difícil. Decidi jogar com a mão direita na direcional e a esquerda com os outros botões, mas daí fica impossível usar o mouse para o combate com precisão. Até agora a única solução foi se acostumar com a distribuição grosseira dos comandos e ser rápida, muito rápida, no momento de troca de controles.

Assassin’s Creed

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O que mais gostei em Shao Jun, porém, é a extrema velocidade da personagem. Ela corre, salta, atira, escala e se esconde como se fosse parte do próprio cenário, trazendo à tona algo do qual eu realmente senti falta nos últimos jogos: o maravilhoso modo Stealth. Em ACC: China você não tem outra opção além de se esconder. Combater é complexo e tedioso e geralmente não vale à pena. Você é, enfim, uma sombra nos cenários multi-camada do jogo. Cenários esses, não posso esquecer de mencionar, muito bem construídos e com uma curva de aprendizado sutilmente adequada a jogadores de todos os níveis.

Aproveitei para gravar a primeira sequência enquanto jogava, então fica aí uma pequena demonstração do uso dos controles e da deliciosa velocidade de Shao Jun:

E se tem algo do qual não posso deixar de comentar é a respeito dos gráficos. Pelas imagens e o vídeo fica muito evidente o estilo de arte usado em ACC: China. Os designers abusaram das pinceladas grossas e dos tons sépia nesse jogo, criando uma atmosfera que muito me lembrou Alice Madness Returns – que também tem um mini side-scroller no mundo oriental! Uma lembrança maravilhosa, devo acrescentar, já que ambos os jogos compartilham um estilo de arte e design de níveis únicos e muito característicos.

Para você comparar :)

Para você comparar :)

Enfim, o jogo é claramente mais uma peça da franquia Assassin’s Creed, e isso está evidente em cada movimento, em cada arma, em cada pequeno pedaço da construção da narrativa. Até mesmo na presença de Ezio (com um decepcionante novo dublador) nos pequenos tutoriais de combate. A dublagem de Shao Jun deixa muito a desejar em diversos momentos (coisa que muito raramente acontece em Assassin’s Creed), principalmente na pronúncia equivocada dos próprios nomes em Chinês. A personagem não tem muito carisma, mas é interessante notar como ela é cheia de confiança. Logo ao final da primeira sequência Shao Jun deixa bem claro a que veio, e não foi para brincar.

Assassin’s Creed

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Ainda não consegui zerar com 100%, mas recomendo bastante o jogo se você tem algum apreço a side-scrollers. Esse, sem dúvidas, é mais uma peça maravilhosa do gênero, com grande variedade de golpes e movimentos, além de apresentar a continuidade da narrativa que vimos nascer há alguns anos. Estou certa de que não demorará muito para que você crie algum afeto por Shao Jun, seja pela facilidade dela de se deslocar pelo cenário, seja pela convicção inabalável. Mas já deixo um aviso: não espere uma grande história recheada de nuances como os outros Assassin’s Creed. ACC: China vai, quase sempre, direto ao ponto.

E você também pode me adicionar na PSN para jogarmos algo depois! 😉