por Marcos Candido

Pelo segundo ano consecutivo, todos os indicados na categoria Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante do Oscar são brancos. Para piorar, o filme Creed – Nascido Para Lutar, cujo protagonista e diretor são negros, teve o ator branco Sylvester Stallone escolhido para concorrer a Melhor Ator Coadjuvante. Em Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante’ a história se repete: todas as indicadas são brancas.

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E não foi apenas por falta de opção. Em 2015, foi lançado o longa Beasts of No Nation, estrelado pelo ator Idris Elba e lançado pela Netflix. O drama Um Homem Entre Gigantes, estrelado por Will Smith e inédito no Brasil, também chegou aos cinemas em 2015. Em Creed – Nascido Para Lutar, o protagonista, Michael B. Jordan, e o diretor, Ryan Coogler, são negros.

Já na categoria feminina, a última atriz negra indicada foi a atriz Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante, em 2014, pelo papel em 12 Anos de escravidão. 


‘Creed – nascido para lutar’ (Foto: Divulgação)

Além da falta de representatividade racial, nenhuma mulher foi indicada ao prêmio de Melhor Direção. A última listada nesse quesito foi Kathryn Bigelow, que levou Oscar por dirigir o filme Guerra ao Terror – em 2010.

No balanço geral, as mulheres aparecem apenas em quesitos de bastidores, como Melhor Figurino, em que três mulheres e um homem concorrem pela estatueta. Elas também aparecem em Melhor Maquiagem, Melhor Documentário (geralmente, dirigidos por mais de uma pessoa), Melhor Curta, Melhor Edição e em demais categorias menor destaque. Isso de mantê-las nos bastidores já é uma  tendência da premiação.

Segundo Tim Gray, editor da revista Variety, essa situação não é uma campanha fixa dos jurados contra minorias raciais ou puro preconceito de gênero – é uma treta muito maior. “O problema em Hollywood são as agências [de recrutamento] e os estúdios”, pontua o jornalista. Gray também aponta que Cheryl Boone Isaacs, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, já começou uma campanha com duração de cinco anos para tentar “mudar” o pensamento de estúdios, executivos e agenciadores na hora de tirar um filme do papel. O tempo é considerado longo demais devido à urgência, ou muito curto para resolver o problema para ativistas de inclusão racial e de gênero nas artes.

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Em junho de 2015, a Academia convidou cerca de 300 novos membros para participar do júri e mudar o aspecto da bancada responsável por avaliar as obras candidatas. A medida foi um esforço para melhorar a diversidade da parada, que a cada ano apresenta um decréscimo no padrão “homem-branco-meio-velho”. Em 2012, o Los Angeles Times apontou que os jurados daquele ano eram 93% brancos e 76% homens – uma queda de 1% em relação a 2011. Atualmente, cerca de 6 mil pessoas fazem parte da banca avaliadora, embora o perfil não mude tanto nos últimos anos.

Apesar de tudo, o apresentador do Oscar 2016 é o comediante negro Chris Rock. Não à toa, Rock é o primeiro mestre de cerimônias negro a apresentar a premiação desde 2005 – ocasião em que ele mesmo também foi o apresentador. A premiação do Oscar 2016 acontece no dia 28 de fevereiro, em Hollywood, nos Estados Unidos.