O olhar do entregador

Sem emprego, Allan Weber começou
a fazer bicos de entregador durante a
pandemia. Suas fotos do corre se
tornaram livro e capa de revista

Por Artur Tavares
Fotos Divulgação

IFOOD

A história
não é incomum.
Jovem morador
do subúrbio
carioca, Allan
Weber perdeu
o emprego
em 2020.
Com um filho
recém-nascido,
ele só tinha
duas opções:
os aplicativos
de entrega
de comida
ou o crime

Quantas notícias
diferentes Allan
Weber poderia
estampar em 2021?
Chacinas, vírus,
balas perdidas,
casualidades
nada casuais
de um país
cuja dor e a
violência têm
preferência
de classe e cor

Se assim fosse,
a história dele
terminaria aqui.
Mas Allan
Weber venceu.
Ele começou
a fazer suas entregas com
uma câmera
a tiracolo. Nada
profissional,
uma point and
click analógica

Do Cordovil,
na Zona Norte
do Rio, até a
riquíssima Zona
Sul, fotografou
colegas entregadores,
moradores dos
condomínios,
embalagens
de comida. Seu
trabalho tornou-
se um exemplar
contemporâneo
naïf


Descobri
a fotografia
em 2012, quando
comecei a andar
de skate. No meio
do rolé, sempre
tinha alguém
com vontade
de filmar,
fotografar”


Comprei uma
câmera em 2016,
mas nunca tinha
mexido. Coloquei
muitos filmes
errados, perdi
muitas fotos.
Até tentei ver
umas aulas,
mas nunca tive
paciência,
tá ligado?”

No final de 2020,
Allan lançou o
livro Existe uma
vida inteira que
tu não conhece,
registro da luta
diária e dos seus
momentos de
intimidade na
Favela 5 Bocas,
os bate-bolas da
molecada e o pixo


Nunca tive
um celular bom.
Se você tem um
iPhone, as fotos
ficam pica.
Depois que
aprendi o que
era estética,
percebi que
a do Moto G
não me agradava.
O filme deixa
mais maneiro”


Lá onde
a gente mora,
tem a Igreja,
né? Dizem que salva. Pô, a arte também salva, entendeu?
Pergunta pro menor se ele quer assistir o culto, ou se quer trabalhar com arte?”

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