Queremos mesmo ser "emocionados"?

Estamos vivendo uma eterna apatia,
mas será que é suficiente para recebermos bem pessoas que não têm vergonha de mostrar emoções?

Por Alexandre Makhlouf

MOLE

Depois de mais
de 20 anos
rezando para
ser contratado
pela Globo, o
apresentador
Marcos Mion
finalmente está
realizando este
sonho. E quem diz
isso é ele mesmo –
sempre que pode


Por incrível
que pareça,
ver alguém comemorando
tão genuinamente
uma conquista é
coisa rara. Não só
porque vivemos
no Brasil de
Bolsonaro há
quase três anos
e faltam motivos
para de fato
celebrar

O contato com
influenciadores
de estilos de vida
caríssimos não é
novidade, mas fato
é que essa eterna
necessidade
on-line de
ser sempre
o mais cool e
fingir costume
pra tudo continua
aumentando


A própria
piadinha do
"se não postar, a vacina funciona?"
denuncia que
até a felicidade
por conta da
imunização
de uma doença
muitas vezes
mortal não pode
ser celebrada
frente aos
haters de plantão

"Gente blasé é
cafona demais.
Seja um
emocionado".
O fundo ver-
melho escuro
e os dizeres em
branco estavam
distribuídos em
dezenas – talvez
centenas? – de
stories que assisti
durante a tarde
de sábado


Muita gente concordando, pedindo mais emoção, defendendo o direito de comemorar e celebrar e falar o que sente, de não se deixar sufocar
e viver intensamente todas as conquistas



Por conta da
pandemia, do
isolamento, de
termos tido um ano praticamente
anulado, as
pessoas têm
sentido falta
de momentos
grandiosos, de
romantização
da vida"

Dá pra ser emocionado sem
extravagância,
gritaria, 154 posts durante uma viagem, ou dá pra ser emocionado assim também se for o seu jeito. Ser de verdade é uma baita emoção quando a gente
se permite


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