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7 filmes para ver na 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Selecionamos narrativas que tratam as transformações da sociedade com ênfase na diversidade, na cultura e na valorização da ancestralidade

por Beatriz Lourenço 21 jan 2022 10h08
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arte/Redação

 cinema está em constante transformação. Isso porque ele é reflexo do nosso contexto histórico, político e social. As mudanças de paradigma são documentadas o tempo todo e inspiram os profissionais a refletirem sobre suas vivências e o cotidiano. Pensando nisso, “Cinema em transição” foi o tema escolhido para representar a 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece de 21 a 29 de janeiro, em Minas Gerais. 

Em nota, Francis Vogner dos Reis, coordenador curatorial do festival, explica que a transição também é de teor técnico e econômico: “Dentro dessa nova configuração e das circunstâncias extraordinárias de isolamento na pandemia nos últimos dois anos, vivemos o aceleramento de um processo de mudanças na difusão de filmes: da sala para as plataformas digitais”. A adaptação traz desafios tanto para o circuito exibidor quanto para distribuidores – e também, claro, para quem consome esse conteúdo. 

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Assim, os produtores, cineastas e desenvolvedores precisam ampliar seu campo de visão e inovar a cada ideia. “A dinâmica dos coletivos ampliaram sua atuação para cenas culturais que ultrapassam a fruição convencional dos filmes e lançaram suas criações diretamente no YouTube ou projetados em ambiente clubber ou conjugados a projetos, por exemplo, teatrais. Esses trabalhos desafiam as definições básicas do que nos acostumamos a chamar de cinema enquanto fruição, mas também, muitas vezes enquanto divisão de trabalho dentro da hierarquia de set”, afirma Francis. “As mudanças não são somente na cultura do cinema e na sua economia e desenvolvimento tecnológico, mas também na transformação do seu regime de percepção e de sensibilidade, no experimento estético de quem faz e na experiência estética de quem vê (e ouve).”

Esse é o gancho que envolve todo o evento, desde os filmes selecionados até os debates e oficinas propostas. A programação é gratuita e diversificada, contando com mais de 100 títulos brasileiros. Neste ano, a Mostra será totalmente online, sendo possível acessar o catálogo de filmes no site oficial. Para te ajudar a escolher o que assistir, conferimos a programação e selecionamos sete títulos que discutem questões importantes para a sociedade de hoje, como diversidade, cultura e ancestralidade.

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Tenho receio de teorias que não dançam

Pode uma travesti produzir teoria? Este curta, dirigido por Gau Saraiva, foi gravado nos vilarejos de Santo André e Guaiú, no Sul da Bahia, e traz texto e atuação da performer e professora Dodi Leal – que apresenta uma visão de produção de conhecimento corporalizada a partir de uma breve narrativa de seu trabalho artístico. O filme indica a relação profunda do corpo trans com a arte ambiental, investigando o movimento do gênero no mangue, a vivificação do pensamento de rio e fluxos de dança do mar. Os conceitos dançam e vibram na medida em que se rompe com o binarismo corpo versus natureza.

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Panorama / Mostra de cinema de Tiradentes/Divulgação

Panorama

Entre as cicatrizes do passado e as incertezas do futuro, o Jardim Panorama resiste. Há pouco mais de dez anos, a favela foi rasgada ao meio por um monstro. Hoje, o monstro dorme. Até quando? Um filme sobre os sonhos, as memórias e o cotidiano de quem mora em uma comunidade cercada pelos muros de um bairro nobre de São Paulo. A direção é de Alexandre Wahrhaftig.

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Manguebit/ Mostra de cinema de Tiradentes/Divulgação

Manguebit

O mangue beat, movimento musical e estético que nasceu em Pernambuco nos anos 90, mudou a visibilidade das periferias e das manifestações culturais da Região Metropolitana de Recife e colocou o estado na rota do mercado musical mundial, após o lançamento de bandas como Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. O filme, feito por Jura Capela, experimenta a liberdade do pensar do mangue por meio de uma linguagem multifacetada, que reúne ideias e ideais, refletindo a ousadia que deu vazão ao grande símbolo do movimento: uma antena parabólica enfiada na lama dos estuários.

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Os primeiros soldados / Mostra de cinema de Tiradentes/Divulgação

Os primeiros soldados

Em Vitória, na virada de 1983, um grupo de jovens LGBTQIA+ celebra o réveillon sem ideia do que se avizinha. O biólogo Suzano sabe que algo de muito terrível começa a transtornar seu corpo. O desespero diante da falta de informação e do futuro incerto aproxima Suzano da artista transexual Rose e do videomaker Humberto, igualmente doentes. Juntos, eles tentarão sobreviver à primeira onda da epidemia de Aids. Rodrigo de Oliveira dirige o longa. No elenco estão nomes como Johnny Massaro, Renata Carvalho e Vitor Camilo. 

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Meus Santos Saudam os Teus Santos / Mostra de cinema de Tiradentes/Divulgação

Meus santos saúdam teus santos

Neste documentário, Rodrigo Antonio faz uma viagem de regresso à ilha do Marajó, terra de seus avós. Lá, conhece a pajé Roxita e recebe a notícia de que têm guias espirituais de herança. Ele vive sua iniciação na pajelança marajoara e registra sua relação com Roxita, que será sua guia num encontro com seus ancestrais.

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O dia em que Helena matou o presidente / Mostra de cinema de Tiradentes/Divulgação

O dia em que Helena matou o presidente

Um grande estrondo. Não há sinal do que aconteceu com o mundo lá fora, porém, antes que viver ali se torne insustentável, Helena decide seguir com o seu plano: matar o presidente. O curta, de apenas oito minutos, é dirigido por Fernanda Estevam.

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Baronesa / Mostra de cinema de Tiradentes/Divulgação

Baronesa

Neste filme de Juliana Antunes, Andreia quer se mudar, enquanto Leid espera pelo marido preso. Vizinhas em um bairro na periferia de Belo Horizonte, elas tentam se desviar dos perigos de uma guerra do tráfico e evitar as tragédias trazidas junto com a chuva.

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