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Ouvir quem não ouve

Além de entretenimento, influenciadores surdos usam plataformas digitais para reivindicar equidade e acessibilidade

por Maria Alice Prado, da Veja SP 25 jun 2021 00h26
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Clube Lambada/Ilustração

influenciador digital Gabriel Isaac é enfático ao manifestar que a sociedade brasileira não é preparada para receber os surdos. Em tempos pandêmicos em que grandes fontes de entretenimento são fruto de conteúdo audiovisual sem tradução para a língua de sinais – lives em redes sociais, músicas, televisão… –, a reivindicação do jovem se evidencia. De acordo com o IBGE, cerca de 2,7 milhões de pessoas possuem surdez profunda no Brasil – algumas dessas estão se destacando na internet em busca de equidade. Conheça as histórias de jovens surdos que fazem das suas plataformas digitais palco de entretenimento, divulgação de projetos sociais e representatividade para os não ouvintes.

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Betina Körbes / instagram/Reprodução

Em todo lugar

A gaúcha Betina Körbes, 32, se mudou para a capital paulista em busca de trabalhos no mundo da moda. Além de surda, é modelo plus size. Já fotografou para marcas como Renner e Hope e estampou páginas da revista Claudia. No Instagram (@bekorbes), com quase 10 mil seguidores, transmite a importância da aceitação e é referência para outras jovens.

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Gabriel Isaac / instagram/Reprodução

A música vibra

Gabriel Isaac, 24, sabia que comentários como “Carnaval não combina com gente surda” não passavam de falácias. Seu trabalho com música para não ouvintes na internet abriu portas para que ele fosse convidado para dançar no trio elétrico de Anitta enquanto traduzia hits da cantora para Libras, em 2019. Ele acumula mais de 66 mil seguidores no Instagram (@isflocos) com conteúdos sobre música, direitos e educação para os surdos.

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Leo Castilho / instagram/Reprodução

Performar e resistir

Leo Castilho, 33, é performer, poeta, produtor, influenciador digital e educador de arte do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Começou na internet divulgando festas e eventos que organizava para pessoas surdas. Além de usar seu Instagram (@leocastilho) – com mais de 43 mil seguidores – para lutar por acessibilidade, representatividade negra e LGBTQIA+ e autoestima para surdos, faz da plataforma um palco para espalhar seu nome – um dia quer realizar o sonho de atuar em uma novela.

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Roberto Castejon / instagram/Reprodução

Conhecimento é poder

“As mídias digitais ajudaram muito na nossa visibilidade para termos mais respeito”, aponta Roberto Castejon, 26, designer gráfico e influenciador digital surdo. Com foco na produção de vídeos adaptados para não ouvintes, em animações divertidas, o jovem luta pela inclusão dos surdos na sociedade por meio do conhecimento. São vídeos de história, curiosidades e teorias científicas, como sobre Adolf Hitler e a ditadura militar, que somam quase 500 mil visualizações no seu canal do YouTube.

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Kitana Dreams / instagram/Reprodução

Arte de sonhar

“Eu assistia às performances de drag queens e adorava, mas, como sou surda, não dava para fazer show”, conta Kitana Dreams, que conquistou o sonho de fazer parte da arte por meio do seu canal do YouTube. Maquiadora autodidata, a drag queen passou a se montar para gravar vídeos de tutoriais, produtos de beleza, compras e desafios. Kitana ainda usa sua plataforma para disseminar a inclusão de pessoas com deficiência. Seu vídeo Gírias LGBT em LIBRAS já passa de 50 mil visualizações.

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