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8 livros (assustadores) para salvar o mundo

O fim do mundo ficou mais próximo em 2020, mas a literatura de não-ficção já vem alertando a humanidade sobre perigos há muito tempo

por Bruno Porto Atualizado em 20 jun 2020, 15h26 - Publicado em 1 jun 2020 08h00
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clube lambada/Ilustração

estes tempos de isolamento, para muita gente a literatura tem sido um enorme e confortável sofá para se atirar e ficar a tarde toda. Poucos programas são melhores do que dar um mute nos políticos anti-ciência e mergulhar numa história escapista, seja um sci-fi bem rocambolesco ou um daqueles suspenses com “garota” no título que já nasceram para virar filme. Mas, aproveitando esse momento em que a humanidade foi obrigada a voltar a pensar no coletivo, também pode ser a hora de se aprofundar em temas sérios e urgentes. Se estamos diante de um cenário com contornos apocalípticos, é uma deixa para entender (melhor) o que (mais) está dando muito errado no planeta, como fruto das nossas decisões equivocadas.

Pensando nisso, Elástica preparou uma lista de livros assustadores para salvar o mundo. Leituras que, em algum grau, chocam pelas informações que trazem, mas que podem nos ajudar a mudar o rumo das coisas. Os temas vão de aquecimento global a racismo, passando pela precarização do trabalho e por fake news. Boa leitura (porque nossa sobrevivência pode depender disso).

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Reprodução/Divulgação

A terra Inabitável: Uma História do Futuro

(Companhia das Letras, 320 pág.)
O autor desse best-seller, David Wallace-Wells, não é fã de fazer suspense. Tanto que abre o livro com a frase: “É pior, muito pior do que você imagina”. Sim, ele está falando dos efeitos devastadores e, em muitos casos, irreversíveis das mudanças climáticas. Esqueça os livros sobre ciência com ritmo arrastado e excesso de dados: o jornalista americano trata de fome, enchentes, queimadas e desertificação com objetividade assustadora. Segundo o jornalista e ensaísta Andrew Solomon, “’A terra inabitável’ atinge o leitor como um meteoro”. Precisa ser mais claro? Compre aqui.

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A Espiral da Morte: Como a Humanidade Alterou a Máquina do Clima

(Companhia das Letras, 496 pág.)
No Brasil, o tema das mudanças climáticas também tem gerado bons livros. É o caso dessa mistura de reportagem, diário de viagem e relato científico que rendeu a Claudio Angelo o prêmio Jabuti de 2017 na categoria Ciências da Natureza, Meio Ambiente e Matemática. Também fugindo da aridez de alguns livros científicos, ele relata o derretimento dramático do Ártico e da Antártida e suas consequências para o mundo – mais especificamente para grandes cidades brasileiras. Compre aqui.

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Comer Animais

(Rocco, 320 pág.)
É muito raro que escritores renomados de ficção abandonem seu habitat natural literário para se aventurar pela não-ficção. Mas Jonathan Safran Foer, do elogiado e adaptado para o cinema Tudo se Ilumina, tomou essa decisão para defender uma bandeira cara a ele: o veganismo, uma das pautas do momento. Lançado em 2010, mas apontado até hoje como uma das principais obras sobre o tema, Comer Animais passeia por gêneros variados – ensaio, reportagem, memórias – para denunciar a produção industrializada de carne. As (esperadas) cenas de horror e bons insights vão, no mínimo, botar os carnívoros para refletir. Compre aqui.

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Escravidão – Volume I

(Globo Livros, 504 pág.)
Um dos precursores no Brasil do mergulho do jornalismo na história do nosso país, Laurentino Gomes vendeu centenas de milhares de livros combinando uma linguagem acessível com pesquisa farta. Outra característica do seu texto são as imagens usadas para fazer o leitor de hoje se dar conta da magnitude ou do horror de fatos ocorridos em outras épocas. Ele volta a demonstrar este talento nesse primeiro livro sobre a escravidão (o segundo está previsto para este ano), tema que ainda precisa ser muito estudado para atacarmos um dos maiores males nacionais, o racismo. Cenas como as que descrevem como os navios negreiros eram perseguidos por tubarões no seu trajeto, já que o tempo todo corpos eram jogados no mar, nunca mais saem da memória. Repetindo: impossível entender o racismo sem olhar para trás. Compre aqui.

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A morte da Verdade: Notas Sobre a Mentira na Era Trump

(Intrínseca, 272 pág.)
Com a velocidade vertiginosa dos acontecimentos políticos somada à cacofonia cognitiva gerada pelas redes sociais, fica difícil cravar quando, nos anos recentes, a verdade como conceito passou a ser atacada e manipulada como nunca na História. Esse livro escrito por Michiko Kakutani, crítica literária do The New York Times por quase quatro décadas, no entanto, nos ajuda a começar a entender como viemos parar nesse lugar temerário, em que presidentes e cidadãos comuns distorcem fatos para fazer valer agendas, não por acaso anti-democráticas. Dona da erudição esperada de uma jornalista do maior jornal do mundo, ela aponta culpados à esquerda – a contracultura dos anos 60 que colocou a razão na berlinda – e à direita – os asseclas da alt-right trumpista – fazendo um diagnóstico elucidador. Indispensável como a verdade. Compre aqui.

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Big Tech: A Ascensão dos Dados e a Morte da Política

(Ubu, 192 pág.)
Se hoje parte da população mundial passou a olhar para a tecnologia com reservas, em função sobretudo do papel do Facebook na eleição de políticos com sérias tendências autoritárias, num passado recente o clima era de oba-oba quase generalizado. A internet era um atalho para um futuro prático e democratizante, acreditava-se. Já nessa época, no entanto, o pensador Eugeny Morozov – que reuniu nesse livro seus melhores artigos publicados no jornal The Guardian – alertava para os aspectos problemáticos da rede. Aqui, o bielorrusso passa por temas como fake news e precarização do trabalho para fazer um diagnóstico sombrio da maneira pouco crítica como encaramos a chamada cultura da inovação. No fim, talvez você nunca mais vá querer subir num patinete elétrico. Compre aqui.

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Dez Argumentos para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais

(Intrínseca, 192 pág.)
Assim como Eugeny Morozov, Jaron Lanier, autor desse livro-manifesto, já criticava a internet antes da atual onda de denúncias contra as redes sociais. E credenciais não faltam a ele: cientista da computação e jornalista especializado no tema, Lanier é considerado um dos pais do campo da realidade virtual. Daí o peso do seu alerta, que no livro se divide entre temas-capítulos como “Não querem que você tenha dignidade econômica”, “Estão enfraquecendo a verdade” e “Estão destruindo sua capacidade de empatia”. Alguns trechos são de gelar: “O algoritmo está tentando capturar os parâmetros perfeitos para manipular o cérebro, enquanto o cérebro, desejando maior compreensão, está mudando em resposta aos experimentos do algoritmo. Mas como o estímulo do algoritmo não significa nada, porque os estímulos são genuinamente randômicos, o cérebro não está respondendo a nada real, mas a uma ficção. Esse processo – de se tornar presa de uma miragem elusiva – se chama vício”. Compre aqui.

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Uberização: A Nova Onda do Trabalho Precarizado

(Elefante, 320 pág.)
Mesmo com as cifras bilionárias que circulam no meio, o Vale do Silício adora alimentar uma certa aura hippie, new age, dizendo que a tecnologia aproxima as pessoas e tira poder das grandes corporações. Esse era um dos argumentos centrais por trás da mitologia da economia do compartilhamento. O mundo piscou e o resultado são startups que agem como… grandes corporações. E alimentam a epidemia da precarização do trabalho, mostra o jornalista especializado em tecnologia Tom Slee. Mirando, claro, companhias como Uber, Lyft e Airbnb, ele mostra que, na sequência do papo furado meio Era de Aquário, costumam vir a desregulação das atividades econômicas e bônus milionários para seus executivos. Compre aqui.

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