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Toda história é uma história de amor

Sarah Oliveira e Roberta Martinelli estreiam "Nós", podcast em que escutam diferentes versões de uma mesma história de amor

por Alexandre Makhlouf Atualizado em 10 Maio 2021, 11h37 - Publicado em 10 Maio 2021 00h32
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Clube Lambada/Ilustração

“Este é um podcast de histórias reais, de todo tipo de pessoa e de como elas se relacionam. histórias sobre os nossos nós, aquilo que faz de mim, de você, nós”. Assim Roberta Martinelli e Sarah Oliveira abrem o primeiro episódio de Nós, novo podcast original do Spotify comandado pelas duas amigas e apresentadoras. O conteúdo? Histórias de amor, contadas por seus protagonistas – e cada um conta sua versão separadamente. Funciona assim: Sarah entrevista uma das partes, Roberta, outra e, por fim, as apresentadoras se reúnem em estúdio para entender as diferenças nos relatos e refletir sobre as peculiaridades de cada uma delas.

“As histórias têm muitos lados, mais do que dois. Ontem, conversei com a Sarah e estávamos contando como a gente se conheceu. O jeito que ela lembra é completamente diferente do que eu me lembro. E esse jeito que a gente conta também tem a ver um pouco com como a gente se entende no mundo”, contou Roberta. Vale lembrar que, em Nós, ela e Sarah não se debruçarão apenas por histórias de amor romântico, mas também sobre relações entre pais e filhos, mães e filhas, amigos e todas as outras relações em que o afeto e o carinho está presente. No primeiro episódio, que entra nesta segunda-feira no ar, fala sobre Julia e seu pai, Reinaldo. Aos 7 anos, Julia descobre que a paternidade não era biológica. E, tentando não dar spoilers, mas já dando, a história dos dois só reforça que amor e sangue não tem nada a ver. E mais uma dica-spoiler: seria legal deixar a caixa de lenços ao lado porque os relatos são emocionantes mesmo.

“As histórias têm muitos lados, mais do que dois. O jeito que a gente conta também tem a ver um pouco com como a gente se entende no mundo”

Roberta Martinelli

Os episódios de Nós serão semanais e, para honrar o background musical de Sarah e Roberta, todo episódio tem uma playlist exclusiva com músicas que remetem à trilha sonora dos personagens do episódio. “Sem afeto, é tudo muito escroto, especialmente nesse momento que a gente está vivendo agora. Ligado a isso, está sempre a música. Um livro, um filme, uma série, tudo isso faz parte da memória afetiva, mas quando entra a trilha sonora…. você perde tudo ali”, pontua Sarah.

Em um bate-papo rápido pelo Zoom numa manhã de quarta-feira, conversei com Roberta e Sarah sobre algumas das entrevistas de Nós, a importância de falar de amor em tempos sombrios, a trilha sonora de um grande amor que elas viveram e mais. Olha só:

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Roberta Martinelli e Sarah Oliveira –
Roberta Martinelli e Sarah Oliveira – Nadja Kouchi/Divulgação

Toda história, seja de amor ou não, tem dois lados. Será que conhecer esses dois lados pode tirar um pouquinho da mágica dessas histórias
Roberta: Acho que não, sabia? Sempre fui muito curiosa com o jeito que as pessoas contam suas histórias, o que elas lembram de como aconteceu. As histórias têm muitos lados, mais do que dois. Ontem, conversei com a Sarah e estávamos contando como a gente se conheceu. A maneira que ela lembra é completamente diferente do que eu me lembro. E esse jeito que a gente conta também tem a ver um pouco com como a gente se entende no mundo.

Sarah: E uma história não anula a outra: um lado se surpreende, complementa, às vezes até explica o outro. A dinâmica que encontramos – a Roberta ouve da casa dela uma história, eu ouço outra da minha e a gente vai pro estúdio sem saber nada, sem conversar antes. São dois universos que se criam, fica tudo muito rico. E também tem uma beleza que está nesse não saber, está no inusitado. 

Roberta: Durante as gravações, tiveram histórias que a Sa ouviu, gravou e chorou muito – e eu, quando ouço o outro lado, fico me perguntando porquê.

“Uma história não anula a outra: um lado se surpreende, complementa, às vezes até explica o outro. São dois universos que se criam e se encontram, fica tudo muito rico. E também tem uma beleza que está nesse não saber, está no inusitado. “

Sarah Oliveira

Falar sobre amor ainda remete muito a um imaginário de amores eternos, de relações “para sempre”. Qual é a importância de falar também dos amores que acabaram, que não existem mais, que “não deram certo” – eu, pessoalmente, odeio essa expressão
Roberta: Eu também odeio! A pessoa fica 20 anos com a outra, como que isso é dar errado? Se for assim, me coloca na fila que eu quero dar errado também! (risos)Todo encontro de amor, por mais rápido que seja, vale enquanto brilha e o quanto brilha. 

Sarah: Tem um livro que eu li, que a Ro também leu, que fala que duração e intensidade são variáveis não interligadas. Isso mudou minha percepção. Não to falando só de amor entre pessoas que transam e se apaixonam. É amor de vó e neto, entre aluno e professor, amizade. A intensidade e a duração não são interligadas. Pode ter aquele amor que durou 4 meses com aquela pessoa, mas foi tão intenso que, pra você, vale mais do que um mais longo. É como a história da música “Cry Baby”, da Janis Joplin. Ela fez essa música para um brasiieiro que ela conheceu e ficou, não por muito tempo, e depois ele voltou com a mulher e largou ela. Durou pouco, mas foi o maior amor da vida. Não dá pra ficar medindo amor. Até porque, no fundo, toda história entre duas pessoas é uma história de amor.

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“Eu odeio a expressão “amor que deu errado”. A pessoa fica 20 anos com a outra, como que isso é dar errado? Se for assim, me coloca na fila que eu quero dar errado também! (risos)”

Roberta Martinelli

Vocês duas têm uma história com a música e esse tema permeia todo o podcast. Por que amor e música caminham de mãos dadas?
Sarah: O amor é a maior ferramenta de transformação da sociedade. Piegas, eu sei, mas é isso. Sem afeto, é tudo muito escroto, especialmente nesse momento que a gente está vivendo agora. Ligado a isso, está sempre a música. Um livro, um filme, uma série, tudo isso faz parte da memória afetiva, mas quando entra a trilha sonora…. você perde tudo ali. 

Roberta: A música te leva na hora. Outro dia, escutei uma música do Cazuza e aquilo me remeteu direto a uma manhã que cheguei de uma noitada. Só a música leva a gente direto nos sentimentos e memórias, sejam bons ou ruins. A gente marca nossas vidas pelas músicas que a gente ouvia e, dependendo da associação, quando toca, não tem como controlar. Também me lembro até hoje que, com 10 anos, entendi o que era um fim de relacionamento por causa de “Detalhes”, do Roberto Carlos. Não importa se é Billie Holiday, Beyoncé, Odair José. Quando toca aquela música, a gente sente.

Roberta Martinelli e Sarah Oliveira –
Roberta Martinelli e Sarah Oliveira – Nadja Kouchi/Divulgação

Queria saber a trilha sonora do amor da vida de vocês – e um pouquinho de como ela virou essa trilha.
Roberta: Ai, a minha é bem clichezona: Nando Reis e Ana Cañas, “Pra você guardei o amor”. Sempre foi. É minha música com o Pedro e, uma vez, ele ligou na rádio, no programa em que eu faço telefone aberto, em pleno Dia dos Namorados. Ele armou tudo com meu chefe e, quando eu atendi, reconheci a voz dele e ele pediu nossa música.

Sarah: São muitas, mas se eu tivesse que escolher uma, seria “As coisas tão mais lindas”, da Cássia Eller.

E, por fim, qual é o poder de contarmos histórias de amor em tempos tão difíceis, de intolerância e sofrimento?
Sarah: Queremos que as pessoas ouçam de coração e cabeça abertos, e sempre lembrem que temos nossa vida, temos que quebrar tabus e entender que todo amor pode ser possível e vale a pena.

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