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Meu lugar é no topo

Luca Scarpelli é o primeiro homem trans a apresentar o Queer Eye Brasil e quer ser referência para todos que, assim como ele, estão sempre em transformação

por Alexandre Makhlouf Atualizado em 12 fev 2022, 21h23 - Publicado em 10 fev 2022 23h37
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Clube Lambada/Ilustração

oda entrevista é uma conversa e, se for boa, pode ser também uma troca. De informações, de experiências, de pontos de vista. Toda entrevista boa, assim como toda conversa boa, tem o poder de transformar quem participa dela, quem de fato está disposto a escutar. E foi isso que aconteceu no dia em que, durante uma hora e meia, Luca Scarpelli conversou com a Elástica. A pandemia – sempre ela – impediu que o encontro fosse ao vivo, mas estarmos separados por alguns quilômetros e duas telas não impediu que o papo fluísse e que, ao apertar o botão vermelho da vídeo chamada, eu me sentisse um pouco transformado. E contar por quê isso aconteceu é permitir que, assim como eu, vocês também conheçam mais sobre a história e a vida do Luca.

O nome dele pode não ser familiar, mas provavelmente o título da empreitada que deu maior visibilidade a ele, é. Com seu canal Transdiário no YouTube, em que acumula mais de 180 mil seguidores, Luca dividiu suas dúvidas, seus aprendizados, seu conhecimento e seu processo de transição. Em meio ao turbilhão que é entender sua identidade de gênero e passar pelo processo de autoaceitação, de contar para a família, de se entender como homem no mundo depois de passar a maior parte da vida como mulher, Luca entendeu que aquela jornada, que era só dele, não era exatamente só dele. 

“Comecei a transição em Lisboa, no ano de 2016, e minha grande angústia naquele momento era ter que ter a mesma conversa com todo mundo várias vezes. Lembro que, no Facebook, mudei meu nome – uma época, tinha só o sobrenome, sem nome nenhum – e percebi que algumas pessoas já vinham falar comigo, perguntar se estava tudo bem. E eu tinha que dar o mesmo texto toda hora. Era um saco”, ele lembra. Enquanto passava pelos questionamentos pessoais, Luca trabalhava como publicitário em uma agência em terras portuguesas e, por conta de uma campanha sobre HIV, conheceu o canal do criador de conteúdo Gabriel Comicholi, chamado H Diário, e teve a ideia. “Saquei que queria gravar vídeos sobre o que eu estava passando para compartilhar com os meus amigos. Porque iam acontecer mudanças físicas, as pessoas não iam me reconhecer quando eu chegasse no Brasil.”

O primeiro vídeo foi postado só no Facebook, para amigos mesmo, mas o caminho para o YouTube foi inevitável, “porque era bom ter um link para só enviar pra galera”, explica Luca, rindo. “Mas aí começaram a vir outras pessoas, e reparei que não ia ser tão simples explicar, porque as pessoas não sabiam nada sobre homens trans. E isso colou com uma necessidade de perceber que não existia um canal legal no Brasil sobre isso, só o do Ariel Modara. Se você não falava inglês, você estava ferrado, porque não ia conseguir consumir nada sobre transição.” A data do início do canal está fresca na memória até hoje – até porque, também foi o dia em que Luca se assumiu como homem trans em seu local de trabalho e também o dia em que começou o processo de hormonização: 1º de outubro. “Alguns vídeos fizeram um certo sucesso, aquilo começou a me animar, percebi que meu plano podia ir pra frente. Senti que tinha público procurando por aquele conteúdo.”

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Bernardo Enoch/Fotografia

Olhar queer

Foi o Transdiário que tirou Luca do anonimato e o colocou sob os holofotes da internet, território em que, hoje, ele também atua como influenciador e criador de conteúdo. A publicidade ainda faz parte da vida dele, mas ele reforça que, graças à empreitada, hoje “tem o privilégio de só pegar projetos que sejam mais curtos e que façam sentido”, já que a vida de agência não é mais sua fonte principal de renda. No entanto, ao acessar o canal do YouTube, uma coisa pode te surpreender: faz mais de um ano que nenhum vídeo novo é publicado. “Sinto que o Transdiário é um legado que vai existir pra sempre, é um grande repositório de vídeos que está lá para quem estiver passando por esse processo. Mas sinto também que chegou um momento em que não faz mais sentido que o meu processo de transição seja o protagonista da minha narrativa”, ele pontua.

“Sempre vou ser trans, isso me atravessa 24h por dia e vai continuar atravessando para o resto da minha vida – e que bom, falo com a boca cheia que eu me orgulho de ser trans, que eu sou tão legal por causa disso. Ser transexual me trouxe muita coisa boa de entendimento, de paz comigo mesmo, de entender meu corpo como potência. Mas quero também mostrar que pessoas trans são pessoas. Eu gosto de moda, de música, de esporte, sou um ótimo publicitário, agora vou ser apresentador da Netflix. Quero que as pessoas comecem a perceber que a transexualidade é uma das características entre várias de uma pessoa trans”, completa. Se ele nunca mais vou postar no YouTube? A resposta ainda está em aberto. “Não sei. Se eu sentir que é importante compartilhar algo naquele espaço, vou fazer, mas acho que o processo ali se concluiu. Tudo que eu queria passar e compartilhar sobre minha transição, já compartilhei. Agora, acho que é mais sobre o Luca enquanto pessoa. Minhas inseguranças, meus sonhos, o que eu gosto e não gosto.”

“Sinto que o Transdiário é um legado que vai existir pra sempre, é um grande repositório de vídeos que está lá para quem estiver passando por esse processo. Mas sinto também que chegou um momento em que não faz mais sentido que o meu processo de transição seja o protagonista da minha narrativa”

E, para falar sobre tudo isso que está no radar de Luca, não existe um espaço melhor do que Queer Eye Brasil, versão nacional de um dos reality shows de maior sucesso da Netflix. Assim como na versão americana, em que 5 homens gays e queer apadrinham, por uma semana, alguém que precisa de uma transformação em sua vida – estamos falando aqui de um makeover total, com direito à reforma da casa, visual e roupas novas, aulas de culinária e até conversas sobre traumas e dificuldades familiares –, a produção brasileira o mesmo esquema. É nessa última função, aliás, a de ter conversas transformadoras e ajudar psicologicamente quem topou a mudança proposta pelo programa, que Luca está escalado.

 

“Acredito com a minha alma nesse projeto, não sei nem explicar o quanto eu estou feliz de fazer parte dele. Não é só um reality, estamos falando sobre transformação de vidas, lidando com questões que são muito poderosas, que são bonitas de serem mostradas. Assim como a minha presença nas redes sociais, quero sentir que posso compartilhar no programa o que eu quero e na hora que eu quero. Estou fazendo essa mudança de rota porque quero que as pessoas vejam o Luca, não só o Transdiario. Eu sou muito mais complexo.” 

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Luca Scarpelli/Arquivo

Pedras no caminho

Ouvir as ideias de Luca, sua forma de ver o mundo e o entendimento que ele têm de seu propósito, de seu papel na luta trans e de suas relações com o mundo é inspirador, além de algo raro nos dias atuais. O caminho para chegar a esse lugar, como ele próprio diz, não foi nem um pouco fácil. “Minha família sempre foi muito conservadora, família tradicional mineira, outro nível de conservadorismo”, ele começa a contar, rindo. O entendimento como mulher lésbica foi o começo da jornada, quando ele ainda tinha 17 anos. Mas entender-se algo não quer dizer necessariamente sair do armário. Ainda mais no caso de Luca, que viu desde pequeno uma tia, também lésbica, ser julgada e preterida pela família, a ponto de mudar-se de país. 

“Sempre escutei meus pais falando que não era normal, ouvi coisas horríveis deles nesse período. Fiquei desesperado quando me entendi lésbica e calhou de ser uma época em que essa tia estava no Brasil. Ela foi a primeira pessoa com quem falei sobre isso – depois de um período surtando. Lembro que ela foi na minha casa, o que já era algo atípico, e perguntou por mim diretamente. Ela foi até meu quarto, eu disse que não estava bem e ela me levou para a casa de uma amiga dela. No carro, falei que precisava contar uma coisa. ‘Acho que gosto de meninas”, eu disse, e ela respondeu: “Oba! Mais uma pessoa com bom gosto na família!'”, Luca lembra.

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A orientação da tia, já com experiência em lidar com a homofobia da família, foi de que Luca garantisse sua independência antes de fazer qualquer comunicado, para evitar mais sofrimento. Nisso, passaram-se nove anos. Luca namorou algumas meninas – “que sempre foram apresentadas em casa no lugar da amiga, sabe?” – e mudou-se para Portugal, onde conseguiu viver sua verdade mais livremente. Ainda assim, algo ainda o incomodava. “Quando a gente viaja, a gente se encontra. Você começa a se deparar com partes de você que talvez não conheça. Percebi que o rótulo de ‘sapatão’ não fazia sentido pra mim. Primeiro, porque eu também gostava de meninos, e naquela época a bissexualidade não era nem falada. Eu era muito desfeminilizada nessa época, caí no lugar da sapatão caminhoneira. Aquilo não me cabia, mas eu não conhecia outras possibilidades.”

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O incômodo com o corpo também já era uma questão, ainda que não se apresentasse como parte da transexualidade. Ser trans, aliás, era algo impossível na cabeça de Luca – exatamente pela falta de representatividade. “Quando o Tarso Brant apareceu na TV pela primeira vez, aquilo me marcou, mas ele também não tinha um pleno entendimento da identidade dele. Saiu no Pânico na TV: ‘a menina que era gatinho’, um lugar de chacota que eu também não sabia se queria estar. Comecei a ler sobre gênero e foi quando comecei a ver os vídeos de meninos trans gringos no YouTube. Foi aí que eu entendi que poderia ser esse o meu lugar.”

“Quando o Tarso Brant apareceu na TV pela primeira vez, aquilo me marcou, mas ele também não tinha um pleno entendimento da identidade dele. Saiu no Pânico na TV: ‘a menina que era gatinho’, um lugar de chacota que eu também não sabia se queria estar”

Representatividade, aliás, marcou muito a jornada de Luca. Em uma das muitas vindas ao Brasil para visitar amigos e família, coincidiu de sua turma ir à 1ª Marcha do Orgulho Trans para acompanhar a namorada de um amigo, e lá as coisas se encaixaram. “Foi meu momento de epifania, de perceber que eu era igual a essas pessoas.” Embarcado no avião e de volta a Portugal, aquele caldeirão de sentimentos parecia finalmente estar pronto para ser servido. Num lapso de coragem, como ele mesmo conta, Luca escreveu um e-mail para os pais falando sobre tudo: gostar de meninas, que a “amiga” com quem ele morava na época era sua namorada e que tinha questões com seu gênero. Colocou tudo em uma mensagem e… não mandou.

Mais de um mês se passou, ele continuou se informando sobre transsexualidade no YouTube e, mais uma vez, o universo lhe deu um sinal: Caitlyn Jenner foi a público, na capa da Vanity Fair, contar que era uma mulher trans. “Fiquei muito feliz, mas pensei: não vou esperar ter 60 anos para viver minha vida. Tudo isso me deu coragem pra mandar aquele e-mail, e mandei. Avisei meus pais pelo WhatsApp que tinha enviado algo muito importante e mandei para o meu irmão também – ele já sabia que eu me relacionava com meninas.”

“Quando vi que a Caitlyn Jenner se assumiu trans, fiquei muito feliz, mas pensei: não vou esperar ter 60 anos para viver minha vida. Tudo isso me deu coragem pra mandar aquele e-mail, e mandei”

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Bernardo Enoch/Fotografia

Família é amor

Se você acha que o efeito desse e-mail na família tradicional mineira de Luca foi o equivalente a uma bomba, sentimos muito em confirmar o palpite. A primeira reação do pai foi um tanto quanto surpreendente e boa. A resposta veio sucinta e positiva: “Tá, agora me conta a novidade. Eu te amo, te respeito, estava só esperando você me falar.” Luca ainda completa que, ainda que o pai não entendesse exatamente as questões de gênero, não hesitou em manifestar apoio. Com a mãe, no entanto, foi diferente. “Ela deu uma bela surtada. Falou que ia pra Lisboa, porque eu estava com más companhias. Lembro que meu irmão conversou com ela, deu uma segurada e, logo depois, ela falou que precisava de um tempo. O que eu acho que é natural também. Afinal, quando uma pessoa transiciona, todos ao redor também passam por algum tipo de transição”, explica Luca com uma maturidade que só o tempo – e muita conversa – é capaz de trazer.

“Quando me assumi, minha mãe deu uma bela surtada, falou que eu estava com más companhias que ela precisava de um tempo. O que é natural também. Afinal, quando uma pessoa transiciona, todos ao redor também passam por algum tipo de transição”

Alguns meses depois do fatídico e-mail, uma nova visita ao Brasil – e à família – estava nos planos, e assim aconteceu. Luca lembra que, assim que chegou, sua mãe o chamou para conversar e o levou para a psicóloga dela, onde ele aguardou na sala de espera, sentindo-se um pouco culpado, mas feliz de ver que a mãe estava buscando ativamente lidar com a questão. Como toda jornada de aceitação, o período também foi marcado por altos e baixos. “Já de volta em Portugal, ela me ligou um dia que precisava desabafar, disse que estava muito angustiada sobre o que ia acontecer, e foi a primeira vez que eu reagi e falei: ‘Mãe, quem tá passando por esse processo sou eu. Eu que preciso de acolhimento, você que precisa me acolher. Surta com as suas amigas, com a vovó, mas comigo, não.’ E ela entendeu. A partir daí, ela assumiu uma posição muito de mãe, de que ia dar tudo certo. Tanto que, na minha primeira consulta com um endocrinologista em Portugal, quando ia começar a terapia hormonal, ela foi até lá só para ir comigo.” 

A partir daí, a mãe de Luca se tornou sua principal parceira. E os efeitos dessa transformação repercutiram na família toda – quando decidiu realizar a mastectomia, Luca recebeu a visita da família toda, incluído pai, irmão e avó, além da mãe, claro, para cuidar dele depois da cirurgia. Em tempos de tanto preconceito, de transfobia e de ódio sendo destilado na mídia e por figuras políticas que deveriam cuidar da população, ouvir uma história como essa, mesmo sabendo que ela é exceção, é um alento. 

“Minha mãe é evangélica e, depois do meu processo de transição, ela diz que o deus dela não manda ninguém colocar o filho pra fora de casa. Ela diz que o deus dela é sobre amor, sobre família. Gosto muito de falar isso porque eu não vim de uma família de boa, ouvi coisas horríveis durante a minha infância sobre pessoas LGBTQIAP+. Mas tive a grande sorte da minha família mudar, correr atrás do prejuízo, se sensibilizar”, ele conta, emocionado, frisando que esse esse olhar mais amoroso – seja pela questão LGBTQIAP+ ou qualquer outra – pode trazer reparação e conciliação para as relações. “Para mim, o ódio não é o pior e não é o inverso do amor. O inverso do amor é o medo. Quando a gente tem medo do que vai acontecer, se preocupa demais com a opinião dos outros, com o que a gente queria que fosse e não é, essa é uma energia de destruição. Não é o seu filho trans que destrói a família, é você e o seu medo. Minha mãe é meu exemplo cabal de como é possível ser religioso e amar sua família de qualquer jeito. Inclusive, a maioria das religiões é exatamente sobre isso.”

“O ódio não é o inverso do amor. O inverso do amor é o medo. Quando a gente se preocupa demais com o que a gente queria que fosse e não é, isso é uma energia de destruição. Não é seu filho trans que destrói a família, é você e o seu medo. Minha mãe é meu exemplo cabal de como é possível ser religioso e amar sua família de qualquer jeito”

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Bernardo Enoch/Fotografia

Sobre ser homem

Fato é que a transição realmente traz transformações para todos os envolvidos – sendo a pessoa trans, claro, a que mais muda. Luca, que há mais de 5 anos fala sobre seu processo e sua transexualidade na terapia, percebeu que não só o mundo dele mudou nos últimos tempos, mas, em muitos aspectos, o mundo e a sociedade também mudaram com ele. Afinal, sua transição o fez um homem branco e padrão em uma sociedade machista e normativa. “Ao transicionar, a gente ocupa o lugar de masculinidade, sim, mas em partes. A masculinidade trans e a masculinidade cis são muito difíceis de comparar porque nunca vamos ocupar o mesmo espaço”, ele explica, ressaltando que não é incomum que alguns homens trans repliquem comportamentos machistas tóxicos e sejam tachados como “machos escrotos”. 

“Provavelmente, as posturas machistas de um cara trans vêm de replicar violências que ele sofreu, ou de afirmar sua própria masculinidade em cima de uma masculinidade tóxica que o violentou no passado. Nossa masculinidade nunca vai ser reconhecida como legítima em uma sociedade normativa. Tenho que estar o tempo todo ‘provando que sou homem’ e cair nesse lugar de ter atitudes machistas pode ser fácil, porque, de um jeito ou de outro, é um caminho para provar a masculinidade.” Luca explica também que sua passabilidade – termo utilizado para se referir ao quanto uma pessoa trans consegue passar “despercebida” pelos olhares normativos – é um dos fatores que legitima sua masculinidade perante a sociedade e que trouxe mudanças gritantes para o dia a dia “Saí do lugar que muitas mulheres estão onde as pessoas levavam menos a sério o que eu falava, me interrompiam mais, olhavam mais pro meu corpo. Hoje, quando começo a falar, todo mundo cala a boca. As pessoas olham nos meus olhos, e não mais pro meu corpo. Tudo que eu falo as pessoas levam a sério – mesmo que eu esteja inventando coisas.” 

Mas, no caso de Luca, os benefícios inegáveis de ser homem estão sempre ameaçados pela transfobia. “Não tenho mais medo de andar na rua sozinho à noite a não ser que, naquela situação, saibam que eu sou trans. Uma vez, no Carnaval, uns boys ficaram sabendo que eu era trans. Quando fui no banheiro, invadiram a cabine pra tentarem me beijar, ficar comigo. Eu tenho uma certa segurança e alguns privilégios da masculinidade? Sim, mas eles acabam quando descobrem a minha transexualidade.” 

Mesmo assim, Luca não queria que essa jornada toda fosse de nenhuma outra forma. Sua transição e sua transexualidade são, para ele, um presente. Afinal, homens trans são os únicos que têm a oportunidade de construir a própria masculinidade. “Eu consigo olhar pra mim e falar: Quem é o Luca homem? Não me foi ensinado a ser homem, então consigo construir isso sabendo que posso pintar a unha, usar maquiagem, chorar, falar dos meus sentimentos. Isso não me faz menos homem, apesar de saber que, ao olhar da sociedade normativa, eu nunca vou ser homem. Eu posso fazer cirurgia genital, ter filhos, posso até ter um relacionamento heteronormativo, monogâmico e casado na igreja: essas pessoas nunca vão me ver como homem. Então, já que é assim, pra que eu vou querer alcançar essa normatividade masculina padrão? Vou ser quem eu sou e foda-se, me autoproclamo homem, é meu grito de independência.”

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