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Clarice Falcão em 15 minutos

Com show no Lollapalooza 2022 e série a estrear no streaming ainda esse ano, a atriz e cantora fala sobre humor, carreira e equidade de gênero

por Alexandre Makhlouf 15 mar 2022 23h24
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Clube Lambada/Ilustração

Vai ser quanto tempo de papo?”, pergunto logo antes de a entrevista começar. “15 minutos” é a resposta que recebo. Gelei. Só 15 minutos com Clarice Falcão? Tinha tantas perguntas na pauta… Hora de editar. A sorte é que, no caso da atriz e cantora, não faltam boas respostas – e bons jeitos de responder. Afinal, é no humor e na irreverência que Clarice sempre se destacou. E, no nosso rápido papo, não foi diferente.

A ocasião principal da conversa foi a volta de Clarice aos palcos em um dos maiores festivais do país. No dia 26 de março, sábado, ela performa no Lollapalooza 2022 – festival que terá quatro dias de duração e promete levar cerca de 245 mil pessoas ao Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A expectativa para um retorno com uma plateia desse tamanho? “Primeiramente desesperada, mas também muito animada. Dá um nervosismo, vontade de perguntar se tem como desistir, mas, quando subo no palco, dá vontade de continuar lá meio pra sempre”, ela conta, sorridente, via videochamada.

O bom humor de Clarice, o jeito debochado na medida certa de quem sabe fazer rir e a verdade com que vive sua vida e carreira são a prova de que 15 minutos com ela são suficientes para um ótimo papo. A gente queria mais? Queria. Mas compartilhamos o resultado na íntegra aqui embaixo para fazer valer cada instante. Olha só:

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Depois de dois anos de pandemia, você vai subir ao palco de um dos maiores festivais do país, o Lolla. Quais as expectativas para essa volta? Quais músicas você está mais animada pra cantar novamente? Tem alguma novidade planejada para esse show?
Cara, então, primeiramente desesperada, mas também muito animada. Dá um nervosismo, uma vontade de perguntar se tem como desistir, mas quando eu subo no palco dá vontade de continuar lá meio pra sempre. Como passamos 2 anos e meio, o festival é gigantesco, acho que é exatamente esse sentimento, só que multiplicado por 50 mil, igual pular de asa delta. Vai rolar um pouco de tudo na setlist. é um show bem rápido, show de festival é sempre mais conciso. A gente tá querendo fazer um show animado, festival de dia, galera querendo curtir. A gente quer fazer um show pra dançar. O último disco puxa bastante pro eletrônico e música de pista, e vamos pegar algumas músicas dos álbuns antigos e fazer com uma roupagem um pouco mais pra frente. Tô empolgada pra cantar tudo, quero ver como vai bater nas pessoas. Fizemos esse show para o meu público já, que já gosta e conhece, mas tô doida pra saber como vai bater no público geral. Tem muita gente esperando há muito tempo, as pessoas estão muito carentes de cultura, de diversão, de tudo. Acho que vai ser uma vibe muito massa, a galera está doida pra ser feliz de novo.

Falando em novidade, foi anunciado recentemente que você será protagonista de Eleita, nova produção original do Prime Video. Como foi dar vida à Fefê, o convite para a série e as gravações? E o que você faria se fosse de fato eleita governadora do Rio?
A Amazon é um pouco rigorosa em relação a esse assunto… Por enquanto, posso dizer que foi muito bom, foi a primeira experiência que eu tive de escrever e atuar. Escrever um papel para mim com meu melhor amigo, o Célio. Essa parte foi muito legal. A série tá muito divertida, é doida, distópica. Se eu fosse governadora do Rio… Acho que eu ia liberar o frizz no cabelo oficialmente, não ia ser mais um defeito. Para ser sincera, não saberia fazer nada de verdade, só coisa idiota. Por onde começar no Rio, né? Eu jamais pegaria essa batata quente.

Temos visto, nos últimos tempos, mais e mais mulheres despontando no humor e mostrando que é possível, sim, fazer rir sem ofender ninguém. Nossa conversa rola hoje, no Dia Internacional da Mulher. O que ainda falta pra gente ter equidade de gênero no humor e no entretenimento?
Acho que falta o reconhecimento. A gente está num processo, infelizmente ainda existe um pensamento de que mulher não é engraçada. Pra mim, ultimamente, as pessoas mais engraçadas no entretenimento são mulheres. Acho que falta reconhecer isso. Fica muito na celebração de que as mulheres existem e não no trabalho. O que a Tatá Werneck tá fazendo é absurdo. Ela não é a melhor humorista mulher, ela é a melhor humorista atualmente, ponto. Em Eleita, tive o prazer de trabalhar com a Luciana Paes, e olha… que puta atriz! E muito sub-reconhecida, porque ela é uma gênia. Para um homem ser considerado gênio, ele precisa fazer muito menos do que a gente, que tem que se esforçar dez vezes mais para chegar aos lugares de destaque.

“O que a Tatá Werneck tá fazendo é absurdo. Ela não é a melhor humorista mulher, ela é a melhor humorista atualmente, ponto. Para um homem ser considerado gênio, ele precisa fazer muito menos do que a gente, que tem que se esforçar dez vezes mais para chegar aos lugares de destaque”

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Filipe Oliveira/Fotografia
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Você tem uma relação muito divertida com os fãs nas redes, principalmente no Twitter, falando na lata sobre vários temas e respondendo haters sempre bem humorada. Qual a melhor parte dessa transparência online? É também uma persona ou ali vemos a Clarice mesmo?
Eu gosto muito de fazer piada, cresci numa família que gosta muito de fazer piada, levar a vida de forma leve, e acho que também é um jeito de horizontalizar a relação dos meus ouvintes comigo. Em vez de ser alguém de cima falando com os fãs, o que é impessoal e distante, eu prefiro que a gente tenha uma relação de brother do que de outro jeito. Fico vendo feed do Instagram, de artistas, e as coisas se perdem muito em fotos de flyers, divulgação de coisas… Acho legal fazer diferente. Gosto muito quando os artistas têm uma personalidade que você vê quem eles são, como falam, e não quando é assessoria fazendo comunicados ali na rede. Me sinto mais próxima desse tipo de artista e tento ser esse tipo artista.

No final deste ano, chegará ao fim o mandato de Jair Bolsonaro. Você sempre se pronunciou contra o atual governo e imagino que esteja na expectativa para que isso aconteça. Como você pretende comemorar o fim dessa era, se tudo der certo?
Eu pretendo fazer um Carnaval de verdade. Pretendo ter uma semana que eu não me lembre de nada, quero ficar tão doidona… Do Lula ser reeleito até uma semana depois, se eu lembrar de alguma coisa, eu estarei fazendo errado. Acho que todo mundo deveria se juntar na rua e festejar durante uma semana seguida. E depois volta ao normal e a gente começa a cobrar de novo, falar o que tá sendo feito de errado. Mas a gente merece uma semana de comemoração depois dos últimos quatro anos.

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