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Elástica recomenda: música, histórias e ciência

Histórias para se emocionar e fazer pensar? Programação para curtir shows em segurança? Na nossa lista de dicas tem tudo

por Alexandre Makhlouf Atualizado em 15 out 2021, 00h59 - Publicado em
14 out 2021
20h24

Se tem uma palavra que podemos usar para o Elástica Recomenda dessa semana, sem dúvida é descoberta. Ou, talvez, redescoberta. Somos movidos pela curiosidade de saber como as coisas funcionam, por quê elas funcionam e como podemos otimizar esse funcionamento (e isso vale tanto para um experimento científico quanto para aumentar nosso tempo de lazer nos finais de semana). Por isso, essa semana preparamos dicas para mergulhar nas novidades musicais e na história de São Paulo – cidade onde a maioria de nós está. Dá para fazer isso presencialmente, em um tour por lugares icônicos do centro, ou dando play em um audiolivro que conta a história de três travestis que comandavam a noite na década de 1970. Se quiser ouvir algo um pouco mais cabeça – e ainda assim muito sensível –, também tem recomendação de podcast que faz pensar. Preparades?

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Casa de Francisca
A casa de shows mais legal de São Paulo reabriu nesse mês após ficar fechada desde o início da pandemia. Localizada em um casarão no Centro histórico da cidade, onde nos anos 1940 ficava a Rádio Record, a Casa de Francisca oferece o melhor da música em um clima aconchegante e intimista. No almoço e no jantar, eles servem pratos e drinks deliciosos, e, em respeito aos artistas, o serviço de mesa cessa durante as apresentações musicais. Trata-se de um cuidado e respeito raramente visto por aqui.

Por enquanto, a casa trabalha com capacidade de público reduzida, e segue mantendo uma tradição já bastante antiga, a de divulgar sua agenda paulatinamente. É importante checar constantemente para não ficar sem ingressos.

🎤 Confira a programação da Casa de Francisca

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Fallback/Divulgação

laís

Heavyweight
Você tem algum arrependimento na vida? Alguma relação que não funciona mais? Uma pessoa que te marcou muito, mas com quem não tem mais contato? Algum fato do teu passado que você não entende completamente?  É sobre esses nós que todos temos que o podcast Heavyweight trata: a cada episódio, uma pessoa tenta esclarecer um momento significativo do seu passado.

As histórias são um misto de situações simples (o menino esquisito e acima do peso que sempre se perguntou porque a colega linda e popular o chamou pro baile de formatura) a complexas (o pai e o tio do host Jonathan Goldstein que não se falam há anos). A sexta temporada acaba de estrear.

O podcast é um testemunho sobre como jogar luz naquelas situações que sempre voltam a nos atormentar tarde da noite pode trazer leveza e resolução. A sobrinha que perdeu o tio para a crise da AIDS dos anos 1980 e que, por causa da família religiosa, nunca agradeceu ao marido do tio que esteve ao lado dele durante a doença, mas que ao entrar em contato dá a ele um pedaço do seu antigo amor de volta e ganha um tio. O desejo final do pai do seu amigo, de ter suas cinzas jogadas no buraco final do campo de golf que frequentava, que não tinha sido atendido e agora foi. A professora que incentiva você no momento exato em que precisava e assim molda sua vida pra sempre, mas você não conseguiu agradecer.

🎧  Ouça Heavyweight

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Terreiro Axé Ilê Obá, fundado em 1950, foi o primeiro terreiro tombado em São Paulo, em 1990.
Terreiro Axé Ilê Obá, fundado em 1950, foi o primeiro terreiro tombado em São Paulo, em 1990. Jornada do Patrimônio/Reprodução

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Circuito Memória Paulistana
Criada pela Secretaria Municipal de Cultura e organizada pelo Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo, a Jornada do Patrimônio acontece todo ano em São Paulo desde 2015 e é uma ótima oportunidade para visitar pontos históricos, explorar bairros, ruas e prédios históricos que você nem imaginava que existiam em SP.

Durante a pandemia, o evento aconteceu online e deixou uma plataforma cheia de conteúdo para você visitar sempre que quiser. O Circuito Memória Paulistana é essa plataforma multimídia com circuitos temáticos como samba, arquitetura, resistência negra, cinema, LGBTQIA+, futebol de várzea e outros, com histórias contadas a partir de personagens de cada circuito.

Terreiro Axé Ilê Obá, fundado em 1950, foi o primeiro terreiro tombado em São Paulo, em 1990.

Destaque para o circuito de resistência negra com o retrato do Terreiro Axé Ilê Obá, fundado em 1950, foi o primeiro terreiro tombado em São Paulo, em 1990.

Hoje, é liderado pela Ialorixá (mãe do terreiro) Paula de Yansã, filha de Mãe Sylvia de Oxalá e sobrinha do seu fundador, Pai Caio de Xangô. Na época do tombamento, Paula era criança ainda e conta sobre a resistência de sua mãe, uma mulher preta, que lutou muito para manter o local vivo e sustentar esse lugar sagrado, não somente como um lugar religioso, mas também como símbolo de luta e resistência da cultura afro-brasileira em São Paulo.

🗺️  Circuito Memória Paulistana
Jornada do Patrimônio

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The Brain Scoop/Reprodução

joão

The Brain Scoop
Minha indicação da semana é, mais uma vez, um canal do Youtube (kkkkkk) justamente porquê sou o tipo de pessoa que procura vídeo de qualquer mísera coisa antes de fazer (ansioso?). Eu amo vídeos de mil e uma curiosidades úteis e inúteis, mas acredito que, especialmente depois de tanto falarmos sobre a importância da ciência e dos cientistas, a indicação de hoje faça ainda mais sentido. 

O The Brain Scoop é um canal vinculado ao The Field Museum, museu de história natural em Chicago que desvenda vários mistérios da Biologia e é um prato cheio pra quem é órfão de programas do Animal Planet. De taxidermia à extra-terrestres, a apresentadora Emily Graslie visita acervos de museus, diversos países e tem conversas profundas com especialistas. Mas, em 2020, Emily deixou a equipe do museu em Chicago e os vídeos param de ser feitos para o canal institucional. Agora, eles são  postados em um canal auto-entitulado e que misturam mais arte e ilustrações científicas – um desejo dela.

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Andréa de Mayo com Kelly Cunha e Jacqueline Welch
Andréa de Mayo com Kelly Cunha e Jacqueline Welch Rainhas da noite/Divulgação

alê

Rainhas da Noite
Nos últimos anos, vimos séries LGBTQIA+ ganharem prêmios e visibilidade mundialmente: Pose, Orange Is The New Black, Queer Eye e até mesmo RuPaul’s Drag Race. E, como fã de todas essas que eu listei, entre tantas outras, é inegável a importância que elas têm no quesito representatividade para nós. Mas é mais raro nos debruçarmos sobre a nossa história LGBTQIA+ brasileira, sobre personagens que viveram nas décadas de 1970, 1980 e 1990 e efetivamente abriram espaço para sermos as bichas, as travas, as sapatões que habitam esse país hoje.

Por isso, minha indicação de hoje fala dessa história queer que a gente não conhece. Rainhas da Noite é um audiolivro cheio de bons relatos, com personagens profundos – e 100% reais. Chico Felitti, jornalista que assina o audiobook, mergulhou nas vidas de Andrea de Mayo, Jacqueline Welch (ou Jacqueline “Blábláblá”) e Cris Negão, as protagonistas, e mostra, com sensibilidade e humor, como era o dia a dia de três travestis e a sua busca por reconhecimento e felicidade nos anos 1970. É uma história importantíssima de ser contada pois, assim como muitas vivências LGBTQIA+, principalmente as mais antigas, são fatos que nunca foram documentados e estavam restritos à história oral.

Outro ponto alto – e que dialoga diretamente com o que representatividade deve ser – é a escolha de Renata Carvalho, a atriz que foi crucificada na peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” e aterrorizou a família tradicional brasileira, para narrar essa beleza de história.  

📚🎶 Rainhas da Noite, no Storytel

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🥠  biscoito da sorte 🥠

Não durma de bumbum descoberto.

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