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Elástica recomenda: documentários, descanso e microdoses

Mundos fantásticos, sociedade cansada, os bastidores da música e um spa controverso povoam nossas dicas para este fim de semana

por Alexandre Makhlouf Atualizado em 28 set 2021, 18h52 - Publicado em
24 set 2021
00h43

Precisamos fazer uma confissão: a gente quase não deu conta de fazer o Elástica Recomenda dessa semana de tanta coisa boa que tem rolando dentro e fora das telas para recomendar. Não faltam boas estreias nos cinemas e no streaming, exposições de arte – contemporânea, indígena, moderna – estão abrindo as portas por todo o país e a gente não vê a hora de visitar cada uma delas e trazer para vocês os destaques. Essa semana, sem combinar, nossa equipe se debruçou quase exclusivamente sobre séries, documentários e podcasts para você maratonar no fim de semana e dar boas risadas. Tem papo sério também, sobre as dificuldades do momento que estamos vivendo, mas tudo contado de um jeito envolvente para te fazer refletir. Prepara o print, salva os links e manda pras amigues que, daqui pra baixo, só tem coisa boa!

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Foudation/Apple TV+/Divulgação

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Fundação
Para quem estava órfão de uma grande série de aventura na televisão, a dica dessa semana é a estreia de Fundação, na Apple TV+. Baseada nos romances homônimos escritos por Isaac Asimov a partir dos anos 1940, a saga da queda do Império Galáctico e a subsequente ascensão de uma nova ordem político-universal humana já foi considerada a melhor história de ficção científica já escrita. Construída como uma alegoria da própria civilização ocidental branca, Fundação demonstra como crises políticas desembocam em tempos obscuros, idades médias e totalitarismos. Feito de maneiras episódicas, Fundação não tem personagens principais, e sim herdeiros de um sonho que se desenvolve através de todo um milênio pelo nosso quadrante da galáxia. Uma viagem alucinante.

Fundação, na Apple Tv+

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Sociedade do Cansaço/Globosat/Divulgação

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Sociedade do Cansaço
Inspirada no livro homônimo escrito pelo chinês Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço é uma série documental que trata de um tema que estamos todos reclamando ultimamente: o cansaço. Produzida no Brasil – disponível toda quarta-feira, às 23h30, no GNT, ou então no Globoplay –, ela foca principalmente na realidade brasileira e aborda o tema por diferentes vieses com o intuito de mostrar como a loucura por produtividade em todos os setores da nossa vida vem esfacelando nossa saúde mental. Nos primeiros dois episódios – a série estreou essa semana na TV, mas já dá para assistir os dois primeiros no streaming –,  o diretor Patrick Hanser aborda a questão do trabalho, conversando com entregadores de aplicativos – Paulo “Galo” entre eles – e o cansaço associado à necessidade de perfeição a qual todos estamos submetidos, conversando com mulheres e influenciadores digitais sobre pressão estética e a relação entre o que vemos online e ansiedade, depressão, stress e outros transtornos.

Sociedade do Cansaço, no Globoplay

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Nine Perfect Strangers/Hulu/Divulgação

kareen

Nine Perfect Strangers
Me parece que rolou um inconsciente coletivo em Hollywood. Nestas últimas semanas, assisti a duas séries e um filme, lançados recentemente, com o tema resort/viagem/férias/fuga: a já tão falada White Lotus, um filme de terror maluco com o Gael Garcia Bernal chamado Old (não posso opinar, pois dormi) e o motivo pelo qual escrevo aqui, a série Nine Perfect Strangers, do Hulu. 

A história se passa durante um retiro de bem-estar num spa de luxo. Nove estranhos, com diferentes personalidades e questões pessoais, são escolhidos a dedo pela guru russa Masha, também conhecida como Nicole Kidman nas horas vagas (numa entrevista, a atriz assume que não conseguiu sair do papel por meses). Lá, eles passam dez dias interagindo entre si e resolvendo traumas com métodos de cura nada convencionais que incluem microdoses de psicoativos e outros mistérios.

A série chega hoje ao último episódio e você pode maratonar no seu fim de semana no Prime Video.

Nine Perfect Strangers, no Amazon Prime Video

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Song exploder/Divulgação

laís

Podcast Song exploder
Música é uma coisa que me afeta muito – tipo desconcentra, joga em outro mundo, me faz queimar o arroz e ter um ataque cardíaco. Por isso, minha vida não tem trilha sonora, não sou dessas pessoas que estão sempre com alguma coisa tocando e meu gosto musical é feito de coisas solares, com letras bonitas ou enigmáticas que contenham humor, assobios e palminhas. Me parece que o meu jeito de acessar música é como acesso poesia e que guitarras demais me dão dor de cabeça. Então, esse podcast meta-musical que conversa com compositores pra saber qual o caminho percorrido para criar uma de suas faixas me diverte como descobrir o segredo de um truque de mágica. Cat Power, Billie Eilish, The Shins e o tema de abertura de Bojack Horseman, artistas de todas as eras, com décadas de carreira ou one hit wonders… Acredita que o cara do Weezer tem uma planilha de frases tabuladas conforme a métrica pra encaixar em novas letras?

E parece que virou um mini doc na Netflix também: 

Ouça Song Exploder

Song Exploder no Instagram

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Sex Education/Netflix/Divulgação

joão

Sex Education

Na sexta-feira da semana passada, a Netflix lançou a terceira temporada de Sex Education e, por mais que eu, enquanto amante da série, quisesse ter indicado no último Recomenda sem ter visto nada, preferi ver os episódios durante esse final de semana quente (rs) passado para ter certeza. 

Além da temática extremamente necessária e da abordagem clara e direta sobre sexo para jovens, o que sempre me chama atenção na direção da série é como eles conseguem criar uma atmosfera antiga e jovem ao mesmo tempo. Uma espécie de “carta de amor britânica e contemporânea aos filmes americanos que se passam nas escolas secundárias” como disse Gillian Anderson – musa ganhadora do Emmy 2021 no último domingo por seu papel de Margaret Tatcher em The Crown e também mãe sexóloga do personagem principal, Otis, em Sex Education – para o The Observer. E, mais do que isso, quase uma sátira bem-humorada e inteligente, sem perder a impulsividade típica dessa fase, dos besteiróis estado-unidenses que eu via quando adolescente.

A abertura da terceira temporada é uma das sequências mais lindas que já vi em séries – trilha sonora, cores, personagens, fotografia. Ao passar dos episódios, algumas novas questões entram em pauta, como: a não-binariedade, o autoritarismo, gravidez e etarismo com muita intensidade e falha de comunicação. Muito feliz que mais jovens e adolescentes hoje tenham acesso à algo que, apesar de muito demonizado, deveria ser conteúdo curricular de todas as escolas do país.

Sex Education no Netflix

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🥠  biscoito da sorte 🥠

Tirem férias.

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