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Elástica recomenda: rir, amar, relaxar

Nova temporada de Hacks, Casimiro reage ao "Túnel do Amor" e os sons experimentais da Gondwana Records

por Alexandre Makhlouf Atualizado em 10 jun 2022, 17h08 - Publicado em
26 Maio 2022
23h32

Estamos precisando relaxar um pouco. Dizemos isso enquanto jornalistas, mas mais ainda enquanto brasileiros. Não faltam boas séries dramáticas, documentários com denúncia e livros com novas teorias sobre o caótico mundo atual – e nós falamos sobre tudo isso aqui na Elástica. Mas, de vez em quando, tudo que a gente precisa é… rir. Esvaziar a cabeça, assistir uma bobagem, ouvir uma música sem pensar em absolutamente nada. E essa é a tônica do nosso Elástica Recomenda da semana. Falamos sobre Hacks, série de comédia da HBO Max que acaba de estrear sua segunda temporada – na primeira, foi premiada com três estatuetas do Emmy. Assistir a amizade que vai se construindo entre as protagonistas, comediantes de diferentes gerações, é um prato cheio para dar risada e desopilar. Outra garantia de riso é Casimiro, o comentarista mais boa gente da Internet. Hoje, escolhemos o vídeo em que ele reage a Túnel do Amor, da GloboPlay. Garantia de risada e duas dicas em uma – afinal, o reality também é uma ótima opção para quem não quer pensar em nada.

Tá tentando passar longe das telas? Então, prepara o dedinho pra salvar na playlist: tem single novo do Tim Bernardes para os românticos de plantão e um disco da Gondwana Records, gravadora de música experimental da melhor qualidade. Gostou? Então, nos dê a mão rumo à cabeça vazia e confira nossas dicas na íntegra aqui embaixo:

Gondwana Records

Trabalhar em casa é, em boa parte do tempo, lidar com a própria solidão. E nada melhor para aplacar essa falta de contato humano do que música boa. Em tempos de algoritmos que nos entregam aquilo que se parece com nossos gostos, meu YouTube bem treinado aprendeu a revezar bons discos de reggae e de jazz para fazer meu cotidiano melhor.

Dia desses, atualizando esse site na madrugada, um contrabaixo potente começa a tocar. Ele é acompanhado de um saxofone onírico, e a mistura tão complexa desses dois instrumentos me leva para algum lugar que se parece o céu. Dou control+tab no meu navegador e a janela do player me revela uma descoberta: Vega Trails – Tremors in Static, lançado por uma tal de Gondwana Records.

Nunca ouvi falar dos artistas nem da gravadora, mas há um magnetismo naquele som, naquela identidade visual, que não me deixa ir embora. O disco acaba, e outro vem em seguida, e então mais um, mais um, mais um…

Se cada geração tem seus grandes selos musicais, talvez o desta seja a Gondwana. Descubro que ela foi criada em 2008 na Inglaterra por Matthew Halsall para lançar seus próprios sons e de seu amigo, o saxofonista Nat Birchall (outro que amo e que anima minha vida cotidianamente). Há um cuidado em selecionar músicos de verdade, experimentais na medida, pop jamais. Seus discos de vinil são absurdamente lindos, prateados, azuis, rosados, muito além do pretinho básico que aprendemos a amar, com capas e projetos gráficos minimalistas que remetem a um tempo em que o jazz estava absolutamente inserido dentro das artes avant garde.

Essa recomendação não poderia vir em hora melhor do que este final de semana, que o frio parece ter chegado para ficar. Pegue sua coberta, faça um cházinho ou um drink bem forte, acenda aquele que deixou o Miles Davis e vá longe. Você não vai se arrepender.

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Tim Bernardes/Divulgação

“BB (Garupa de moto amarela)” – Tim Bernardes

Tem algo sobre a voz do Tim que fala diretamente comigo. Ok, essa definitivamente não é uma declaração imparcial e pode ser o lado fã falando mais alto, mas tem algo no timbre, nos agudos frágeis e na potência com que ele canta sobre amor que sempre mexe comigo. Hoje, vou falar do single mais recente que ele colocou no mundo, “BB (Garupa de moto amarela)”, uma canção apaixonada sobre passear de mãos dadas, sobre acreditar que o amor é coisa de alma, sobre como o outro é seu feriado favorito. Daquelas músicas curtinhas que enchem o coração, colocam um sorriso no rosto e 100% das vezes te fazem pensar em alguém. 

Se Tim Bernardes não é algo que está na sua playlist, aproveito para indicar aqui também o Recomeçar, primeiro álbum solo dele – que é vocalista e guitarrista d’O Terno, outra banda ótima. Mas essa é uma indicação para os fortes de coração ou para quem já está com o coração todo quebrado mesmo, porque, como o título diz, é sobre amor, términos, partidas e recomeços.

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RuPaul's Drag Race All Stars 7/Divulgação
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RuPaul’s Drag Race All Stars – All Winners

Depois de 14 temporadas apresentando drags para o mundo todo e outras seis com as performers mais icônicas de toda a franquia, RuPaul finalmente ouviu os fãs e tomou vergonha na cara para fazer uma temporada apenas com vencedoras. A sétima temporada de RuPaul’s Drag Race All Stars, que estreou na última sexta-feira, 20 de maio, trouxe de volta oito campeãs para se enfrentarem: Shea Coulée, Trinitiy the Tuck, The Vivienne, Jynx Monsoon, Yvie Oddly, Raja, Jaida Essence Hall e Monét X Change. O prêmio? O título de queen of queens (a rainha das rainhas) e a bagatela de US$ 200 mil – o dobro do prêmio tradicional do reality.

E, depois dessa estreia com episódio duplo e um Snatch Game – uma paródio do Match Game estadunidense, no qual as drags imitam alguma celebridade em um jogo de perguntas e respostas –, já dá para arriscar que essa é uma das melhores temporadas que RPDR já entregou aos fãs. Eu, no seu lugar, não perderia. O programa vai ao ar toda sexta-feira à noite na VH1 dos Estados Unidos.

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Túnel do Amor/Globoplay/Reprodução

Casimiro reage: Túnel do Amor

Dei um tempo de filmes e séries que me fazem refletir sobre a vida. Agora só busco entretenimento fácil – e parece que Casimiro entendeu esse meu momento e entregou o melhor conteúdo: Túnel do Amor. O novo reality do Multishow é composto por dez duplas de amigos que se separam em duas casas conectadas por um túnel. A missão? ajudar um ao outro a encontrar o par ideal. Nessa jornada, tudo pode acontecer: pegação, intrigas, conversinha de boy lixo e até eliminação. Ao todo, são 18 programas apresentados por Marcos Mion, o que deixa a diversão melhor ainda. Como diria Casé: “forte demais”. P.S: Minha torcida é e sempre será da Marina. Que energia maravilhosa!

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Hacks/HBO/Divulgação

Hacks

Séries de comédia são as minhas favoritas. Amo Arrested Development e Parks and Recreation, por exemplo. Hacks é uma nova série sobre Ava Daniels, uma comediante millennial boa-demais-pra-isso – seja lá o que isso fore que foi cancelada na internet por uma piada com temática sensível, que vê em Debora Vance, renomada comediante rica e em decadência, sua única chance de continuar na comédia. 

Os conflitos agridoces dessa relação permanecem mais fortes do que nunca na nova temporada que começou no dia 12 de maio na HBO Max. Comecei a assistir a primeira para conseguir acompanhar a segunda junto com o lançamento e me encantei com o enredo, a trilha sonora, a direção de arte refinada (mas ainda na breguice de Las Vegas) e, claro, as risadas altas.

A protagonista Debora Vance ganhou rapidamente o coração das bichas – que têm um fraco por personagens femininas mais velhas, fortes e com leves traços de psicopatia – e me incluo aqui, mas também dos jurados do Emmy em 2021. A indicação rendeu a estatueta de melhor protagonista em série de comédia para Jean Smart em 2021, além das premiações de melhor roteiro e direção em série de comédia.

No fim, Hacks é uma série de comédia sobre comédia, mas com outras nuances interessantes – dramas familiares, mortes inesperadas, momentos fofos e também de raiva. A amizade aparentemente improvável entre as duas comediantes, envolvida por risadas guturais e muito honestas, talvez seja sua parte mais encantadora.

Hacks, na HBO Max

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🥠  biscoito da sorte 🥠

Se combinar direitinho, dá pra envenenar todo mundo

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