expressão

Elas fazem cinema. No Instagram 

As irmãs Thalita e Gabriela Zukeram, do duo Two Lost Kids, encontraram na criação de conteúdo autêntica a receita para conquistar marcas e seguidores

por Mariana Caldas 15 out 2020 00h45
-
Clube Lambada/Ilustração

utenticidade é a palavra do momento, das pesquisas, do mercado, da futurologia. Os números ficaram na coleção passada e o lance agora é ser você mesmo. Mas quem consegue ser autêntico de verdade nessa grande miragem de réplicas que é o Instagram? A dupla de criação de conteúdo Two Lost Kids, formada pelas irmãs Thalita e Gabriela Zukeram, viu o seu número de seguidores triplicar durante a quarentena e mostra que quem tem essência não precisa de tendência. Juntas, elas criaram uma espécie raríssima de publi: aquele que você tem vontade de compartilhar. 

“Não víamos nenhuma menina asiática nos filmes. Rolava uma dúvida se a gente podia mesmo ser atriz, mas ao mesmo tempo sempre pensamos que a gente podia mudar o mercado”

Thalita Zukeram

O perfeccionismo com certeza faz parte do universo das Two Lost Kids. Autodidatas, são elas que assinam o roteiro, o planejamento, a maquiagem, o figurino, o cabelo, o cenário, a direção de arte, a fotografia, a edição, a cor, o design e a finalização da maioria dos seus vídeos. “A gente só não faz a trilha”, explica Thalita. Além de terem criado uma estética invejável, o que deixa o conteúdo das duas ainda mais saboroso é o bom humor e o tom espirituoso com que contam as suas histórias, sempre interpretadas por elas mesmas. 

-
Two Lost Kids/Fotografia

Origem

Thalita e Gabriela passaram a infância em Maringá, na mira da câmera VHS do pai. Faziam desfile na sala, interpretavam as cenas dos seus filmes preferidos, criavam programas de auditório. “Quando a gente era pequena, nosso programa preferido era ir na locadora. E a gente sempre viu de tudo. Filme bom, filme cult, filme ruim”, relembra Gabriela. “Tipo ‘Laranja Mecânica’ com 12 anos”, completa Thalita. Elas queriam ser as atrizes famosas que viam nos filmes, e por mais que não se sentissem representadas pelo padrão de beleza da TV, do cinema e das revistas, sentiam que poderiam, quem sabe, mudar a indústria. “Não víamos nenhuma menina asiática nos filmes. Rolava uma dúvida se a gente podia mesmo ser atriz, mas ao mesmo tempo sempre pensamos que a gente podia mudar o mercado”, conta Thalita. 

Continua após a publicidade

“Apesar da comunidade nipônica brasileira ser a maior do mundo fora do Japão, no início a gente sempre ouvia: ‘então, eu acho que vocês tem que ser uma produtora, essa parte de ser influencer não vai dar certo’”

Gabriela Zukeram

“Apesar da comunidade nipônica brasileira ser a maior do mundo fora do Japão, no início a gente sempre ouvia: ‘então, eu acho que vocês tem que ser uma produtora, essa parte de ser influencer não vai dar certo’. Era difícil não pensar que eles estavam dizendo isso porque somos asiáticas”, comenta Gabriela. “As pessoas vinham atrás da gente querendo um vídeo ‘bem Two Lost Kids, mas com outras modelos’. A verdade é que ainda não existe uma representatividade asiática real no Brasil – dá para contar nos dedos as celebridades e influenciadoras. A gente fica meio sem identidade, no meio do caminho. Se estivéssemos mais na mídia, ajudaria a mostrar que somos brasileiras”, completa Thalita. 

-
Two Lost Kids/Fotografia

Hoje, são elas que inspiram outras meninas asiáticas a brilhar, mostram que lugar de mulher é também no cinema, que o corpo mais bonito do mundo é o seu, e colecionam marcas gigantescas no currículo. Samsung, Magazine Luiza, iFood, Riachuelo, Next, Sallve, Asics e até a gringa Lazy Oaf são algumas das empresas que querem fazer parte do universo das Two Lost Kids. “A maioria dos influenciadores pega uma fórmula que deu certo e replica. A gente sempre tentou fugir disso. Criamos a nossa linguagem, o nosso mundo mágico e lúdico. Nosso conteúdo é entretenimento, queremos passar uma mensagem”, reflete Thalita. 

View this post on Instagram

A post shared by Thali & Gabi (@twolostkids) on

“A verdade é que ainda não existe uma representatividade asiática real no Brasil – dá para contar nos dedos as celebridades e influenciadoras. A gente fica meio sem identidade, no meio do caminho. Se estivéssemos mais na mídia, ajudaria a mostrar que somos brasileiras”

Thalita Zukeram

E com certeza o céu não é o limite para o talento e sintonia das duas. A mais nova empreitada é começar a dirigir projetos em colaboração com uma grande produtora de Curitiba, onde moram atualmente. “Acho que ir para trás das câmeras é um movimento natural”, comenta Gabriela. “É muito legal, porque quando eu era criança, queria ser atriz, mas, quando cresci, eu queria ser diretora, e conseguimos unir as duas coisas”, completa Thalita. “Nosso sonho é crescer juntas, e com certeza o maior deles é ver um filme nosso no cinema, ‘dirigido por irmãs Zukeram’. Queremos estar juntas ganhando o Oscar.”

Continua após a publicidade
mais de
expressão
Mundos fantásticos, sociedade cansada, os bastidores da música e um spa controverso povoam nossas dicas para este fim de semana
cama-elástica_laura-brito

Laura Brito na Cama Elástica

Por
A youtuber e influenciadora fala sobre representatividade nordestina e responde nosso questionário
Música para dançar ou para relaxar, pinturas que dão tesão e lançamentos para assistir e ouvir são nossas dicas da semana
Jorge_du_Peixe_FotoJosedeHolanda_Horizontal_menor

No fino do baião

Por
Jorge du Peixe interpreta Luiz Gonzaga em “Baião Granfino”
abre-alfredo-jaar

Alfredo Jaar revive batalhas

Por
Um dos artistas latino-americanos mais consagrados ganha sua primeira mostra individual no Brasil após mais de 40 anos de carreira

Não é ? Sair.

Ter independência no discurso, manter uma rede diversa de colaboradores, remunerar bem a todos e fomentar projetos sociais são bases fundamentais para a Elástica.
Vivemos de patrocínios de empresas que acreditam em nosso discurso e nossas causas, além da colaboração dos nossos leitores através de assinatura digital. Na página de Contas Abertas você pode ver os valores que hoje a Elástica arrecada, e conferir os custos que incorremos para produzir o conteúdo que oferecemos.