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Loïc Koutana na Cama Elástica

Performer e modelo conhecido no underground paulistano, ele encara nosso questionário e fala sobre "Ser", álbum que lança em breve ao lado de Zopelar

por Alexandre Makhlouf 22 jul 2021 00h01

Frequentadores das raves paulistanas provavelmente vão concordar com essa afirmação: ver Loïc Koutana performar em cima de um palco é uma experiência. Os movimentos, a dança que parece ser o casamento perfeito com o som, seja ele experimental, techno, funk ou qualquer outro. Agora, além de vê-lo entregar tudo que não sabíamos que precisávamos em cima de um palco, também poderemos vê-lo cantar. É que, ainda em 2021, Loïc lançará Ser, seu primeiro álbum sob a alcunha L’Homme Statue, duo que ele forma com o amigo e ex-companheiro de Teto Preto Zopelar.

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Arte/Redação

“Foi um processo maravilhoso poder traduzir essas canções no universo da produção. Acho que esse mix de referências traz um ar contemporâneo para o álbum, mas o resultado nada mais é que um reflexo da nossa união de forma espontânea. Pensamos em fazer com que cada música tivesse sua própria cara e não em compor algo dentro de um estilo ou para um tipo de público específico! Ser vem do processo de autoconhecimento e da aceitação de que somos todos seres humanos complexos e que nossa arte é um reflexo da nossa imaginação antes de qualquer definição de gêneros musicais ou qualquer outros tipos de pretensões”, explica Zopelar.

O processo de criação orgânico tem a ver, inclusive, com a união da dupla. “Um dia, no camarim, durante uma turnê do Teto Preto, comecei a cantar achando que eu estava sozinho e o Zopelar ouviu. Ele me perguntou se eu cantava, e eu disse que não, que estava só passando o tempo. Ele me corrigiu e disse ‘não estou perguntando, estou te contando que você canta'”, Loïc lembra, rindo. E já que ele está acostumado a ser pego no pulo, o convidamos para participar da nossa Cama Elástica, uma série de perguntas às vezes divertidas, às vezes sentimentais, que resgatam parte do passado de cada entrevistado e, ao mesmo tempo, o faz pensar no que vem por aí. Preparades?

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Qual sua qualidade favorita sobre você mesmo?
Eu nunca desisto. Jamais. Sempre vou lutar com todas as minhas forças.

Um defeito seu que você jamais mudaria.
Minha intuição, a minha voz, é muito forte. Algumas pessoas interpretam como egoísmo, mas eu me valorizo, valorizo o que eu sinto e me coloco sempre em primeiro lugar. 

Onde você procura buscar inspiração naqueles dias em que não quer sair da cama?
Sem dúvida nas plantas e na música. Eu sou muito caseiro, quando preciso me reconectar, fico deitado na minha cama, olhando as plantas e ouvindo um som.

Qual livro e/ou filme mudou sua vida?
Eu diria dois: Billy Elliot, um filme que fala de um jovem que se escondia dos pais para fazer dança clássica, quando os pais queriam que ele lutasse. Isso me fez entender cedo que eu poderia seguir a minha paixão; e Avatar, uma animação que fala sobre o poder da água, terra, ar e fogo. Sou muito ligado aos elementos.


“Billy Elliot” mudou minha vida. É um filme que fala de um jovem que se escondia dos pais para fazer dança clássica. Isso me fez entender cedo que eu poderia seguir a minha paixão”

Descreva uma noite ideal para você
Tenho dois tipos. A primeira seria em casa, comendo e vendo um bom filme. A outra, eu performando de noite, em um show meu. Esses dois opostos vivem em mim. Meu trabalho é performar e eu amo, mas sou uma pessoa caseira. Mas adoro estar em cima do palco.

Dê uma gongada gratuita em alguém
Gongada é uma coisa negativa, né? Me parece que sim pela entonação da frase (risos). Acho que não tenho nada para falar, não tenho inimigos.

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Como foi seu primeiro beijo?
Foi legal, na França, eu tinha uns 10 anos. Mas foi um pouco esquisito. Éramos muito jovens, acho que me assustei um pouco na hora que rolou.

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O que você diria para o maior desamor da sua vida (até agora)?
Acho que não tenho um desamor (risos). Mesmo quando algo acaba, eu não gosto de problemas.

O que é imperdoável para você em uma relação?
A mentira.

De qual trabalho seu você mais se orgulha?
Ser, meu álbum que vai sair agora, é de longe o que mais me orgulha.

Qual a frase mais sábia que já te disseram?
Seja. O verbo ser é minha palavra favorita da vida.

Qual seria o título da sua biografia?
Ser.

E quem interpretaria você no cinema?
Não quero que ninguém me interprete no cinema. Acho que cada pessoa é única, sempre odiei essas comparações. Quando eu era jovem, odiava que me comparassem com meu pai ou com minha mãe, aqui no Brasil vocês adoram fazer isso. 


“Não quero que ninguém me interprete no cinema. Acho que cada pessoa é única, sempre odiei essas comparações”

Qual seria seu primeiro decreto como presidente da república?
Sejam livres, se respeitem e se amem. E colocaria mais educação, porque o saber é uma chave, é o poder.

E, por último, quem você gostaria que respondesse esse questionário?
Gabriela Garcia, uma amiga artista que terá sua primeira individual agora, ela é gentil e talentosa.

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