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Quebrada fashion

Sete marcas da periferia que defendem a diversidade

por Tatiane de Assis, da Veja São Paulo Atualizado em 27 Maio 2021, 02h12 - Publicado em 25 Maio 2021 23h09
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Clube Lambada/Ilustração

designer de moda Diego de Assis achava sem graça os modelos de roupas plus size que encontrava para comprar. Na marca Rainha Nagô, da qual é sócio, ele decidiu utilizar estampas mais moderninhas, como listras ultracoloridas e motivos relacionados à cultura hip-hop. Assis, que mora na Zona Leste, é um dos profissionais da moda, nascidos ou com base em bairros periféricos da capital, que apresentamos nesta matéria.

Também figuram na passarela, que defende maior diversidade racial, os estilistas William André, da AfroPerifa, Milena Nascimento Lima, da Mile Lab, Jal Vieira, à frente da grife com seu nome, Gabriela Bazilio, da Mocamba Ateliê, Suelen Ingrid, da Afroish, e o casal autor de acessórios Rafaela Nunes e Caleb Candido, da Bizantine. Um time que se propõe a renovar os ares criativos da capital paulista. Confira:

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Caroline Brandão/Divulgação

Diversidade já!

O designer de moda Willian André, de 24 anos, é o nome por trás da AfroPerifa, cuja sede fica no bairro de Perus, na Zona Norte de São Paulo. A grife foi criada em 2017 e sua coleção mais recente se chama Tempestade. Traz peças com corte reto e estampas em xadrez e de oncinha. “É preciso ver o corpo negro na moda e também ter mais estilistas, fotógrafos e modelos pretos”, defende Will.

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Vinicius Marques/Divulgação

Début na São Paulo Fashion Week

Do distrito do Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, Milena do Nascimento Lima, de 22 anos, comanda a Mile Lab. Em 2020, a jovem trancou a faculdade de moda para investir em sua própria produção. “Mesmo sendo bolsista do Prouni, o valor do curso era alto”, explica. A aposta deu certo, e em 2021 ela estreia na edição digital da São Paulo Fashion Week, realizada em junho.

Coleção de Wakanda

Ex-moradora da Brasilândia, na Zona Norte, Jal Vieira, 32 anos, foi convidada pela Disney para assinar “Realeza”, coleção em tons de vermelho, preto, branco e dourado inspirada nas mulheres de Wakanda, país fictício do filme Pantera Negra. “Tudo o que faço se relaciona à minha vivência como preta, lésbica, periférica e mulher”, diz ela, que vive na região central. Sua coleção será lançada no dia 20 de maio no site oficial da Farfetch.

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Jal Vieira/Divulgação
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Bizantine/Divulgação

Argola por argola

No Jardim Guaraú, na Zona Oeste, o casal Rafaela Nunes, 24, e Caleb Candido, 28, fez da sala de seu apartamento o ateliê da Bizantine, marca de assessórios com peças de aço inoxidável. “O Caleb cria argola por argola, depois, juntos, montamos os colares e bolsas”, diz Rafaela, que conta ainda que eles têm uma rotina puxada: começam às 9h e vão até as 20 horas. Tem dado frutos. Um top da marca foi usado por uma modelo no clipe “Vai Baby” (2019), do rapper Black Alien.

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Vai Cremoso/Divulgação

Moda sustentável

A estilista Suelen Ingrid, 27, mudou de bairro, do Jaraguá, na Zona Norte, para a Bela Vista, no centro, mas não alterou sua forma de produzir roupas na Afroish, sua grife. Em vez de buscar tecidos novos, ela prefere retalhos descartados, encontrados no bairro do Brás. Também faz uso de peças de brechó, que recombina e transforma em jaquetas coloridas.

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Kamilla Baes/Divulgação

Tecidos com história

Outra marca do Grajaú como a Mile Lab, a Mocamba Ateliê nasceu em 2016 pelas mãos da estilista Gabriela Bazilio, 24. “Trabalho com tecidos vindos de diferentes países africanos, como Senegal e Angola. Busco resgatar a ancestralidade de pessoas pretas”, detalha Gabriela. Sua grife faz peças sob medida para a clientela, como o quimono azul reluzente visto na foto acima. “Minhas roupas são feitas para caber em pessoas reais”, provoca ela.

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Welber Pinheiro/Divulgação

Plus size em alta

A loja de roupas Rainha Nagô foi criada pelo casal Diego de Assis, 35, e Camila Roquette, 39, que mora na Penha, bairro da Zona Leste paulistana. “Temos uma pegada fashionista, que não é comum no mercado plus size”, diz Diego, autor dos modelos. Com o alcance do on-line na pandemia, as vendas pelo site saíram de R$ 3 mil para R$ 35 mil.

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