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Cinco plantas nativas brasileiras para ter dentro de casa

Espécies de flor, pancs e até árvores podem ser cultivadas em vasos, desde que tenham sol e água na medida certa

por Ricardo Ampudia Atualizado em 20 abr 2021, 21h42 - Publicado em 20 abr 2021 00h42
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Clube Lambada/Ilustração

m tempos de confinamento, trazer um pouco de verde para dentro de casa é fundamental para a sanidade. Ter pouco espaço não é problema, basta ter disposição para cuidar das novas moradoras. A bióloga Luci Kimie Okino, diretora da Divisão de Produção e Herbário Municipal de São Paulo, responsável pela produção de mudas de árvores que vão ser plantadas nas ruas e espaços públicos da capital, explica que cada espécie tem uma necessidade de luz, água e espaço. Por isso, é bom sempre se informar, tirando dúvidas com o florista ou pesquisando na internet detalhes sobre a espécie escolhida. Antes de levar para casa, observe se você tem um espaço com tempo de sol ou sombra ideal e providencie o vaso do tamanho correto.

Se você está cansado da mesmice de plantas refinadas de revistas de decoração nórdicas e casas de influencers, nasceu no lugar certo. Com uma das maiores diversidades do mundo, o Brasil tem espécies nativas para enfeitar a janela e até comer de sobremesa.

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João Barreto/Ilustração

Bromélia Imperial (Alcantarea imperialis)


“Toda planta precisa de sol pelo menos uma parte do dia. Por mais que sejam plantas que crescem na sombra de árvores, com umidade, precisam estar bem próximas da luz”, diz Luci Okino, do DPHM, sobre a bromélia-imperial.

Conhecida por suas folhas que mesclam verde, roxo e vermelho, pode ficar gigante grande se plantada no chão ou em vasos bem grandes, mas vai bem dentro de casa em vasos pequenos. Tem crescimento lento. É importante dizer: compre somente de viveiros e gardens de confiança. Essa é uma espécie ameaçada, retirá-la da mata é crime ambiental. Comprar, também.

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João Barreto/Ilustração

Maranta Burle Marx (Ctenanthe burle-marxii)


Nada mais chic do que ter em casa uma espécie que leva o nome do paisagista mais famoso do país. Burle Marx foi pioneiro no uso de espécies brasileiras no paisagismo, e fazia muitas incursões pelos biomas para descobrir espécies que pudessem ser úteis. Essa maranta vem da Mata Atlântica.

Sabendo disso, fica óbvio, ela gosta de muita água e meia sombra. Exposta ao sol forte ou nas mãos de esquecidos, vai acabar sofrendo. Gosta tanto de água que vale a pena manter um borrifador à mão para uma refrescada no meio dos dias mais quentes.

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João Barreto/Ilustração

Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata)


A Ora-Pro-Nobis, “Orai por Nós”, em latim, leva esse nome por -reza a lenda- nascer aos montes na cerca de uma igreja no interior de Minas Gerais. O padre, que sabia da enorme quantidade de proteína da planta, distribuía aos fiéis mais carentes, o que também lhe rendeu o apelido de “carne dos pobres”.

Considerada uma Panc (Planta Alimentar Não-Convencional), com incidência em toda a América, essa trepadeira vai muito bem em refogados e no suco verde, mas além de nutritiva, é ornamental, a flor da Ora-Pro-Nobis é linda e lembra a do maracujá. “Toda trepadeira gosta de muito sol, se colocar na varanda ou em uma janela bem ensolarada, vai muito bem”, conta Luci. Tome cuidado com os espinhos.

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João Barreto/Ilustração

Grumixama (Eugenia brasiliensis)


É possível sim plantar frutíferas em vasos grandes. Alguns gardens e feiras vendem árvores pequenas com fruta no pé. No caso de mudas jovens, no entanto, podem levar até cinco anos para dar frutos. A responsável pelos viveiros da prefeitura de São Paulo indica espécies como a jabuticaba, a cereja-do-rio grande – uma prima amarela da jabuticaba – e a grumixama.

Espécie nativa da Mata Atlântica, a grumixama lembra o sabor de uma cereja. Cresce rápido em solos férteis e bem drenados. Precisa de muito sol e, na época de florada e frutificação, não pode faltar água. “Tudo vai depender dos cuidados com irrigação, adubação e controle de pragas”, diz Luci.

Uma excelente árvore para sacadas e janelas bem ensolaradas.

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João Barreto/Ilustração

Peixinho (Stachys lanata)


Com alma armênia, mas que encontrou amor no sol brasileiro, o peixinho ocorre em toda América. É considerada uma Panc, mas tem tido tanta aceitação comercial nos últimos anos que vai acabar perdendo o título.

As folhas peludinhas podem ser plantadas em canteiros com bastante sol e vasos rasos e de boca larga. São rústicas e sobrevivem aos mais descuidados, mas trate-as com carinho: muito sol e regas sempre que o solo ficar seco, mas cuidado: o excesso de umidade pode apodrecer as raízes.

Se você for gentil com ela, a peixinho, ou lambari-da-horta, vai se propagar e formar touceiras frondosas. As folhas, bem lavadas, ficam ótimas empanadas, para acompanhar aquela biritinha.

As imagens que você viu nessa reportagem foram feitas por João Vitor Barreto. Confira mais de seu trabalho aqui.

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