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Com o cultivo impulsionado pela pandemia e os debates sobre a legalização quentes, como ficou o cenário canábico em 2021

por Redação Atualizado em 28 dez 2021, 23h04 - Publicado em 28 dez 2021 22h50

2021 foi um ano quente para quem gosta de fazer a cabeça. O Brasil deu bons passos adiante no entendimento de que a cannabis não pode mais continuar sendo considerada uma droga. A ciência atrelada à medicina faz novas descobertas positivas a cada dia, e os impactos socioeconômicos da legalização já se tornam difíceis de serem ignorados.

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Ao redor do mundo, o ano marcou a legalização da maconha em países como Malta e Luxemburgo, que passaram a permitir o cultivo e consumo da planta. Nos Estados Unidos, os estados de Nova York, Novo México, Connecticut e Virginia também avançaram nos trâmites para permitir o consumo por seus moradores.

Antônio Luiz Marchioni, o Padre Ticão, em sua paróquia, em São Paulo Camila Svenson/Fotografia
Antônio Luiz Marchioni, o Padre Ticão, em sua paróquia, em São Paulo Camila Svenson/Fotografia Camila Svenson/Fotografia

Logo nos primeiros dias de 2021, o cenário canábico brasileiro iniciou o ano triste com a notícia da morte do Padre Ticão, uma das maiores lideranças sociais paulistanas das últimas décadas. Homem que lutou ainda nos anos 1980 em prol da moradia digna na região de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste paulistana, Ticão era cientista, pesquisador dos benefícios da cannabis medicinal, e um ativista do autocultivo. Ele dedicava missas e seminários à planta, lecionava em universidades, e distribuía sementes a todos aqueles que não podem pagar os preços proibitivos do CBD aqui no país.

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Camila Svenson/Fotografia

O acesso ao CBD foi um tema quente durante todo o ano. Finalmente legalizado para uso medicinal ainda em 2020, o óleo de canabidiol ainda não é amplamente encontrado em farmácias nem distribuído pelo SUS. Um projeto de lei que tramita no Congresso, o PL 399, estuda como regulamentar e acelerar a produção do medicamento por laboratórios farmacêuticos, mas desagrada por não permitir autonomia de auto cultivo e produção aos cidadãos e pacientes, que ficam à mercê de um mercado de produtos nada fiscalizados e com preços acessíveis apenas para uma minúscula parcela da população.

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Arte/Redação

Na linha de frente pela defesa de crianças que teriam no óleo de CBD um alívio para suas síndromes e dores crônicas, pais e mães vêm se unindo em associações que fornecem suporte psicossocial e apoio jurídico para o cultivo legalizado. Ainda em fevereiro desse ano, o governo tentou fechar a associação pernambucana Abrace, uma das maiores do Nordeste e do Brasil, deixando dezenas de beneficiários sem canabidiol. Em todo o país, grupos como a Apepi e a Cultive merecem ser ressaltados pelo bom trabalho que têm feito em prol do bem estar de crianças e jovens.

Falamos das crianças, mas também temos que exaltar nossos ancestrais. Uma das reportagens que mais nos orgulhamos em publicar conta a história de como os africanos fizeram suas travessias transatlânticas, forçados a serem escravizados, portando consigo sementes de maconha, uma planta sagrada em suas terras natais.

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Mayara Ferrão/Ilustração

Por falar em pioneiros, nesse ano o brasileiro Bruno Gagliardi venceu a primeira edição da Cannabis Cup Arizona. O engenheiro agrônomo é chefe de uma equipe de cultivo de duas empresas irmãs, que juntas levantaram troféus nas quatro categorias mais importantes da premiação: melhor flor sativa, melhor flor indica, melhor flor híbrida e melhor beck pré-bolado. Uma história que mostra os benefícios de um mercado regulamentado, que traz dignidade aos profissionais, dá muito dinheiro, e ainda beneficia o consumidor.

Outras brasileiras que arrebentam no cenário legal da cannabis americana são as garotas do coletivo Girls in Green. Direto da Califórnia, elas produzem haxixe de altíssima qualidade e ainda fazem um conteúdo de arrebentar nas redes sociais. Para a Elástica, elas já produziram conteúdos sobre redução de danos, falando por exemplo sobre relações entre a maconha e a ansiedade, e a possibilidade da cannabis viciar.

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João Barreto/Ilustração
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