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Elástica Recomenda: entrevistas, Beatles e imperatrizes

Sem ideia do que fazer no fim de semana? Vem que aqui tem dica de série, programa de TV e filme pra driblar o tédio!

por Alexandre Makhlouf Atualizado em 6 dez 2021, 16h57 - Publicado em
2 dez 2021
23h11

Olha só quem voltou: ele mesmo, o Recomenda! Depois de um hiato e uma edição temática sobre o Festival Campão Cultural, nossa equipe está de volta com dicas para te tirar do tédio no final de semana. Com a reabertura e o avanço da vacinação, não faltam festinhas e festivais para se jogar na pista, mas nossa recomendações da semana são para curtir dentro de casa, aumentar o repertório, se emocionar e parar para pensar. Aos fãs de música, tem documentário longo, completo e revelador sobre os Beatles. Aos fãs de história, uma série sobre a Imperatriz Catarina, a Grande, da Rússia é certeza de entretenimento. Quem gosta de boas entrevistas, daquelas que vão fundo e resgatam memórias e aprendizados importantes da vida, não pode perder o papo entre Marcelo Tas e André Abujamra. E, para os místicos de plantão, tem série documental que vai te fazer repensar algumas práticas. Preparades? Confira os detalhes abaixo e bom final de semana.

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Ollie Upton/Hulu/Divulgação

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The great
A série ocasionalmente histórica conta a vida da Imperatriz Catarina – a grande – da Rússia. O criador é Tony McNamara, que também escreveu para o filme A favorita (dizem que foi depois de ler um roteiro de The Great que o diretor Yorgos Lanthimos o chamou para o longa). O tom da narrativa sobre Catarina é delicioso: irreverente, engraçado e só um tico preocupado com os fatos. Quem interpreta a imperatriz é a sempre ótima Elle Fanning, capaz de começar a história ingênua e romântica mas se tornar grande como pede o papel. Dá pra assistir no Prime Video e o figurino é um deleite extra. Hazzah! *copo estilhaçado* 

The Great, no Amazon Prime Video

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Indústria da cura / Netflix/Divulgação

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A indústria da cura
Como bom filho de pai médico-cético e de mãe mística-pisciana-sensitiva, tenho uma curiosidade desde sempre por teorias sobre energia, somatização, cura e outros processos não tradicionais para cuidar do corpo. Me debrucei sobre o tema recentemente em um entrevistão sobre espiritualidade mercantil (aqui o link) e fiquei boquiaberto quando comecei a assistir essa série documental.

A indústria da cura, disponível na Netflix, é uma série documental que abre cada um de seus seis episódios com uma provocação: “Bem-estar, um mercado global que vale trilhões de dólares. Mas será que ele traz saúde e cura?”. Logo no primeiro, sobre óleos essenciais, a equipe de reportagem mostra como a maior empresa estadunidense do ramo é, na verdade, um baita esquema de pirâmide disfarçado e como pode ser perigoso o uso de óleos essenciais sem o devido conhecimento sobre cada substância. Ayahuasca, sexo tântrico e leite materno também estão entre os temas investigados. 

Veja, esse não é um documentário para desacreditar medicinas alternativas, mas um lembrete de que, no mundo capitalista, tudo pode rapidamente ser transformado em produto e ~~storytelling para vender mais sem escrúpulo nenhum.

 A indústria da cura, na Netflix

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kareen

André Abujamra no Provocações
Passei anos da minha infância assistindo à TV Cultura. Me lembro de maratonar toda a programação pós-escola: Rá-Tim-Bum, Mundo da Lua, Babar e, na época das Olimpíadas de Barcelona, um desenho perfeito do Cobi, o Mascote Genial. Mais tarde, assistia Confissões de Adolescente acompanhada das minhas irmãs e minha mãe. Assistirmos juntas deu abertura para muitos diálogos sobre relacionamento e sexualidade entre nós.

Mas, sempre existiu uma certa curiosidade estranha no que eu considerava um limbo na programação, que era o Provocações. Mesmo mais velha, achava um programa adulto demais, enigmático demais, não entendia e também m-o-r-r-i-a de medo do Abujamra.

Depois da morte de Antônio Abujamra, em 2015, a Cultura passou a televisionar algumas reprises icônicas até a estreia de Marcelo Tas como novo apresentador, em 2019. Na última terça, 30, foi ao ar a edição em que Tas entrevista o filho do Abu, o incrível André Abujamra, dono de um arroba engraçadíssimo no Instagram, músico absoluto de duetos a banda com 35 pessoas, criador de trilhas que todo mundo conhece e ator nas horas vagas.

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Uma publicação compartilhada por Andre Abujamra (@andre_abujamra)

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Ele contou sobre sua pira maluca com sons, muitas viagens sobre o existir e a feliz relação de amor e admiração que teve pelo seu excêntrico pai. Uma vez, viajando pelo Egito e sem nem um centavo no bolso, ligou para o pai, que estava em Manaus, para pedir dinheiro e ele respondeu: “Andrezinho, meu amor, papai não vai te ajudar, você tem que se foder, mas depois você vai amar essa viagem.” André conta como a educação livre que teve formou uma personalidade única de alguém que pode escolher não ser ateu no meio de uma família de ateus, por exemplo. Essa entrevista é linda!

Provocações: terças-feiras, 22h30, na TV Cultura

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The Beatles: Get Back/Disney/Divulgação

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The Beatles – Get Back
Hoje acordei ouvindo Beatles e agora estou aqui escrevendo essa recomendação de coração quentinho. Na semana passada, o canal de streaming Disney+ estreou o documentário Get Back, uma maratona de sete horas dividas em três capítulos, com gravações inéditas feitas em janeiro de 1969, quando a banda se reunia pela primeira vez em dois anos para gravar um disco de inéditas e também um show para a televisão.

Dirigido por Peter Jackson, a mente por trás da trilogia de O Senhor dos Anéis, Get Back é, provavelmente, o registro documental mais importante dos últimos anos. Embora a vida e a carreira dos Beatles seja extensamente documentada e sabida – conhecida de trás pra frente por qualquer fã da banda –, o controle sobre as imagens da vida dos seus integrantes sempre foi muito rígido. Somando isso ao fato de que essas gravações obtidas por Jackson sejam, talvez, o último material inédito do grupo, Get Back é essencial.

O filme é, claro, feito para os aficcionados do grupo. Para os desavisados, pode parecer estranho ver quatro caras, pintados como os maiores gênios da música, sentados em um estúdio caído ensaiando desanimados para um show que nem querem fazer, tocando músicas sem pé nem cabeça, e eventualmente brigando. Mas Get Back é justamente o registro que faltava para entender como as relações dos garotos de Liverpool foram se deteriorando ao mesmo tempo que a genialidade dos quatros estava no auge. O resto da história todos nós sabemos. As sessões de gravação daquele janeiro de 1969 tornaram-se a obra-prima Abbey Road e também Let it Be, o último disco dos Beatles.

Despretensioso, o documentário não exige que você passe as mais de duas horas de cada episódio sentado na frente da televisão. Vá assistindo aos poucos, pare entre as músicas, relaxe. O mais legal de Get Back é ouvir Beatles em sua melhor fase, quando eles deixam de lado um pouco da psicodelia, retornam ao rock e ao blues, produzem canções de amor eternas e hinos políticos importantes até hoje.

E lembre-se da mensagem mais importante que eles nos deixaram: all you need is love.

 Get Back, no Disney+

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🥠  biscoito da sorte 🥠

Sua paciência acabou, mas o ano ainda não.

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