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22 brasileiras para ficar de olho em 2022

Elas já são destaque na cultura, na política, no empreendedorismo e na comunicação – e prometem brilhar ainda mais

por Beatriz Lourenço 12 jan 2022 08h51

Somos nós que escolhemos quem vamos seguir nas redes sociais. Mesmo que algumas dessas pessoas não façam parte do nosso ciclo mais próximo, elas geram debates, discussões e iniciam questionamentos sobre o mundo. Por isso, deixar seu feed mais diverso é uma maneira efetiva de ampliar os significados de vivências e contextos sociais. 

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A Elástica preza pela equidade de gênero e entende que há mulheres fortes em todas as áreas. Elas lideram o mercado das artes, não perdem tempo para empreender e cobram melhorias do poder público. Da literatura aos negócios, listamos 22 mulheres brasileiras que estão em destaque para ficar de olho em 2022. Vem com a gente nessa lista:

Karine Oliveira

A baiana nasceu e cresceu na comunidade do Engenho Velho da Federação, em Salvador, e há mais de nove anos trabalha com empreendedorismo social, atuando em iniciativas que dão visibilidade a pessoas negras e LGBTQIA+. 

Em 2018, Karine fundou a Wakanda Educação, uma empresa que ensina mecanismos para fortalecer pontos frágeis do empreendimento numa atmosfera descontraída. Lá, eles traduzem os conteúdos para uma linguagem informal que se aproxima da vivência de cada aluno. Pela brilhante atuação, Karine foi parar na lista anual Forbes Under 30 do ano passado.

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Aline Bei

Essa paulista é formada em Letras pela PUC-SP e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia-Helena. O peso do pássaro morto‘, escrito em 2017, é o seu livro de estreia. Ele foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Toca, além de finalista do Prêmio Rio de Literatura. 

Em abril de 2021, Aline lançou Pequena coreografia do adeus, obra que trata sobre os diversos abandonos que alguém pode vivenciar durante a vida. Suas palavras são sensíveis e constroem um universo sobre relacionamentos amorosos, família e emancipação – a crítica especializada chegou a dizer que a autora faz “um balé de palavras”.

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Gaby Amarantos

A cantora se destacou no mundo da música com o hit “Ex-Mai Love” que, em 2012, fez parte da trilha sonora da novela “Cheias de Charme”. De lá para cá, Gaby apareceu com figurinos extravagantes e coloridos e encantou com uma mistura dos ritmos tecnobrega, carimbo, reggaeton e até alguns mais psicodélicos. Em 2013, a musa se apresentou no Festival de Cinema de Cannes, na França. Atualmente, ela completa o elenco do programa Saia Justa, do GNT.

Após o hiato musical de quase uma década, em 2021 Gaby lançou o álbum Purakê, com uma temática que faz referências diretas à Amazônia. Ela conta com 11 parcerias no álbum – como Jaloo, Potyguara Bardo, Liniker e Ney Matogrosso, entre outras estrelas – entre as 13 músicas do disco e transita por diferentes emoções, como sofrência, alegria e muito mais.

Marcela Scheid

Quem vê o feed de Marcela no Instagram entende que a artista trata da vulnerabilidade. Com delicadeza, seus desenhos se unem a frases que qualquer pessoa pode se identificar. “Tem bagagem que só faz volume”, “O conforto de confrontar o desconforto” e “O amanhã é incerto mas o agora já está aqui” traduzem os dilemas e desafios que pesam no coração. Mas é assim que ela nos faz pensar sobre nossos atos e escolhas.

Sua personagem recorrente tomou forma em 2017. “Passei uns três meses desenhando a mesma mulher, não fazia ideia do que aquilo significava. Até que um dia, vendo fotos muito antigas, percebi que era eu mesma, em 2009”, diz, em um de seus posts. Hoje, ela vende obras online e faz parcerias com diversas marcas, como a Fit e Jouer Couture.

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Ana Hikari

Quem vê esse nome não deixa de lembrar de Malhação logo de cara. Mas, Ana tem ganhado cada vez mais os holofotes por falar abertamente sobre a falta de representatividade de pessoas amarelas nas telas. Em uma entrevista para O Globo, ela diz que “o Brasil não enxerga pessoas amarelas como parte da sua identidade. Falta uma compreensão de que somos tão cidadãos e humanos quanto qualquer outra pessoa branca.”

No final de 2021, a atriz emplacou em dose dupla em rede nacional. Ana foi ao ar ao mesmo tempo com a série As Five e na novela Quanto Mais Vida Melhor, ambas da TV Globo. 

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Sandra Benites

Natural da etnia Guarani Nhandewa da aldeia de Porto Lindo, no Mato Grosso do Sul, Sandra é artesã, antropóloga e educadora. Ela foi a primeira indígena contratada para ser curadora do MASP e, com isso, pretende utilizar a cultura para unir os povos indígenas e as populações de outras origens.

Em 2004, Sandra foi professora de artes no ensino fundamental no Espírito Santo. Logo depois, se tornou coordenadora pedagógica na Secretaria de Educação de Maricá, no estado do Rio de Janeiro. Entre 2017 e 2018, foi curadora da exposição “DjaGuata Porã: Rio de Janeiro Indígena no Museu de Arte do Rio”. Atualmente, cursa o doutorado em antropologia social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Lívia Rodrigues e Ana Nascimento

A dupla é responsável pela criação do projeto Pretas na Ciência, uma rede criada com objetivo de incentivar, fomentar e viabilizar mulheres pretas que estudam e/ou trabalham nas áreas de STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). 

Nas redes sociais, elas apresentam vagas de trabalho, workshops e até indicações de obras importantes. Na série “Cientistas que Inspiram”, Lívia e Ana apresentam a trajetória de mulheres pesquisadoras para ampliar a visibilidade de seus trabalhos. 

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Giovanna Heliodoro

Giovanna Heliodoro é historiadora formada pela PUC-Minas, comunicadora, produtora cultural e colunista do BuzzFeed Brasil. Suas pesquisas são voltadas às questões de gênero e afrofeminismo. Além de acumular mais de 100 mil seguidores no Instagram, ela é criadora e apresentadora do canal “Trans Preta”, no Youtube. Nele, há um pouco sobre suas vivências como mulher trans, discussões sobre beleza e sexualidade, além de debates sociais.

Em 2021, ela participou do TEDx e compartilhou sua história, além de seus pensamentos sobre desconstrução, ou “reconstrução”, como diz. Ao falar sobre o apoio da família como algo essencial, ela afirma: “Tive que reeducar todos que estavam ao meu redor. Foi necessário muita paciência para explicar o que era uma pessoa trans, uma pessoa travesti, o que é ser eu. Não foi nada fácil. Nesse país que mais mata travestis e transexuais no mundo, ter o apoio da família é algo sobrenatural.”

Em seu conteúdo online e palestras, Giovanna discursa contra o estereótipo de mulheres pretas e ressalta que o feminismo deve chegar a todas.  

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Ana Gabryele Moreira

Ana Gabryele Moreira tem apenas 29 anos e já recebeu um dos prêmios mais importantes da ciência, o Prêmio Marie Curie da Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). Ela é a primeira mulher preta brasileira a receber essa bolsa e a oportunidade surgiu de um estudo que fala justamente sobre a desigualdade da participação de mulheres na área nuclear. Nos resultados, com base em respostas voluntárias, as raras mulheres que ocupam espaços são divididas em 84% brancas, apenas 10% pretas e nenhuma indígena. 

Paralelamente ao seu mestrado, trabalhou na rede estadual de ensino de São Paulo-SP com disciplinas de ciências e matemática. De 2019 até 2021, também foi facilitadora pedagógica na mediação de educação a distância na Universidade Virtual do Estado de São Paulo – UNIVESP. Agora, Ana vai para o exterior expandir suas pesquisas e continuar com o trabalho de incentivo às mulheres.

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Letícia Bufoni

Um dos nomes mais falados do skate brasileiro, Letícia Bufoni é reconhecida por ganhar medalhas incansavelmente. Em julho de 2021, ela foi ouro nos X Games e, em agosto, foi campeã de um torneio internacional de skate em Paris. Também participou das Olimpíadas de Tóquio, primeira a incluir o esporte na competição.

Bufoni iniciou sua carreira aos 14 anos e é uma das grandes representantes das mulheres no esporte. Por ser uma atleta tão dedicada e talentosa, ganha admiração daqueles que desejam ir às pistas. Nas redes sociais, já acumula mais de 4 milhões de seguidores — que podem acompanhar suas melhores manobras.

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Rayssa Leal

Outro nome do skate que está em destaque é Rayssa Leal. Em 2021, ela ficou com o prêmio de Melhor Skatista do Ano pela Confederação Brasileira de Skate. Aos 13 anos, a ‘fadinha’ conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio e vê sua vitória se repetir sempre que entra em campo.

Rayssa começou a praticar com apenas 6 anos de idade e, aos 11, fez história ao se tornar a mais jovem skatista a faturar uma etapa da Street League Skateboarding (SLS). Seguimos acompanhando e esperando o que vem por aí.

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Juçara Marçal

A cantora Juçara Marçal tem uma longa trajetória como artista: foi do grupo Metá Metá, Vésper Vocal, A Barca e Ilu Obá De Min. Em 2014 lançou seu primeiro disco solo, Encarnado e, em 2021, deu vida ao segundo álbum, Delta Estácio Blues. A nova obra aborda temas atuais, como racismo, negritude, o corpo feminino e ancestralidade e conta com a parceria de Kiko Dinucci e Thiago França. Com ela, Juçara venceu a categoria “Álbum do Ano” no Prêmio Multishow.

Assim como outros artistas mais velhos, a compositora segue se reinventando e trazendo a maturidade em sua forma de criar. Seu acúmulo de influências e experiências a fazem segura de si nos palcos e nas gravações. Já sua versatilidade se mostra inevitável após as três décadas de carreira. À Elástica, Juçara comenta: “é isso aí de você descobrir no fazer: tanto as possibilidades de construir sonoridades pra você cantar, como de mudar sua voz por conta do som que está rolando”.

Vivi Torrico

A pandemia de Covid-19 mostrou a desigualdade social que assola o país. Ao perceber que muitos precisavam de ajuda, Vivi Torrico se juntou ao seu companheiro, João Gordo, e criou o projeto social Solidariedade Vegan. A ideia inicial era oferecer marmitas veganas para moradores de rua de São Paulo. Com o tempo, a plataforma foi crescendo e deu origem ao Trampolink, um braço que visa conseguir trabalho para pessoas em vulnerabilidade. A equipe cria currículo, tira fotos e faz a conexão entre trabalhador e empresas. 

Em um mês de projeto, dos 30 cadastrados, 29 já estavam trabalhando. As pessoas contempladas ganham kits de roupa e de higiene e atendimento psicológico. Já os empregadores recebem um manual sobre como tratar os funcionários. Vivi se tornou uma inspiração para quem deseja fazer a diferença e o bem às pessoas.

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Karla Brights

Natural do Ceará, a fotógrafa Karla Brights está ganhando cada vez mais a atenção dentro e fora do país. Em 2021, a revista internacional i-D a selecionou como um dos nomes da fotografia os quais é importante ficar de olho. “A seleção a seguir reflete uma geração de fotógrafos de moda redefinindo a imagem da moda brasileira”, diz a publicação, criada pela também brasileira Igi Ayedun. A artista já fez parte do time de profissionais da Vogue, da revista Ela, da Claudia e muito mais. Apesar dela já ter destaque no meio, acreditamos que ela irá crescer cada vez mais.

Carolina Chiarello e Talita Soares

Após uma conversa sobre menstruação, Carolina Chiarello e Talita Soares decidiram ajudar mulheres que passam pela precariedade menstrual, ou seja, que não têm como bancar absorvente. Carolina é geógrafa e estuda administração, enquanto Talita é formada em engenharia de produção. Juntas, elas lutam pelos direitos básicos de pessoas com vagina e criaram o Projeto Tô de Chico, que reúne doações de absorventes e as distribuem para mulheres em situação de rua no Rio e em Niterói.

Uma das justificativas para o alto preço dos itens de higiene no Brasil são as taxas sobre o produto, que chega a 34,48%. Isso faz com que muitas pessoas não consigam comprá-los e “improvisem” no dia a dia, gerando riscos à saúde. 

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Juma Xipaia

Juma nasceu na aldeia Tukamã. Ainda adolescente, se envolveu com a luta pelos direitos indígenas: foi contra a construção de Belo Monte, juntou-se ao crescente movimento Xingu Forever e, aos 24 anos, se tornou a primeira mulher a liderar uma comunidade Xipaya. Ela é mãe, ativista, ambientalista e defensora dos direitos humanos e da floresta amazônica.

Além disso, foi a primeira indígena acadêmica e representante dos Xipayas a palestrar na ONU, atua como diretora da Associação dos Estudantes Indígenas na UFPA (APYEUFPA) e conselheira do Movimento de Mulheres do Xingu. Em 2021 ela lançou o Instituto Juma, que visa dar apoio a mulheres indígenas e não indígenas no estado paraense.

“Estamos cansadas, aqui lutando no coração deste projeto destruidor que é Belo Monte. Tem mulheres que querem estar juntas na luta, mas sentem medo, por isso necessitamos de suporte. Não é fácil essa luta”, disse à Elástica.

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Andrea del Fuego

Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Andrea é autora de romances, contos e livros juvenis. Escreveu Os Malaquias, vencedor do Prêmio José Saramago, e As Miniaturas, publicado também na Argentina e na França. Seu último livro, lançado em 2021, é A Pediatra — obra que narra a história de Cecília, uma mulher distante de sua profissão, que busca não criar laços com os pacientes e suas famílias.

Ao longo do sua trajetória, Andréa também escreveu em sites, blogs e revistas digitais. Além disso, colabora desde 2010 para o programa Entrelinhas, da TV Cultura, apresentando reportagens sobre grandes nomes da literatura.

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Setsuko Saito

Também conhecida como Rosa Saito, a modelo sênior chegou para mostrar que a beleza é para qualquer idade. Sua carreira começou aos 69 anos e ela já desfilou na São Paulo Fashion Week e trabalhou com marcas como Motorola, Natura, iFood e Authentic Feet. Ela conta que sempre foi dona de casa e nunca tinha se imaginado na profissão, mas se preparou e agora sonha com a carreira internacional. Seus longos cabelos brancos são o destaque de sua personalidade confiante e vaidosa. 

Natália Bonavides

Natália Bonavides é a vereadora mais votada da história do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Norte e a primeira mulher petista a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Natal. Em 2018, foi eleita a segunda deputada federal mais votada. Ela iniciou sua trajetória política no movimento estudantil, enquanto cursava Direito da UFRN. 

A luta de Natália passa pelos direitos humanos, já que participa de projetos de educação popular, fez parte da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão da Memória e Verdade da OAB e foi advogada do MST, com atuação em diversos acampamentos em todo o estado.

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Ana Clara Moniz

Comunicadora, influencer e ativista, Ana Clara usa sua visibilidade para falar sobre os direitos das pessoas com deficiência. A jovem viralizou ao publicar vídeos sobre sua rotina com Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença genética caracterizada por perda de musculatura esquelética.

Em um de seus desabafos, ela diz: “você parou pra pensar que as pessoas com deficiência sempre estiveram de quarentena? Que sempre fomos impedidos de fazer muitas coisas por falta de acessibilidade? Não é só você que sente falta. É a saudade daquilo que a gente não viveu ainda.” 

Na Elástica, acreditamos que a luta pela acessibilidade e pela inclusão é urgente. Políticas públicas e conscientização são necessárias para o avanço social. 

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