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10 artistas negres para conhecer e apreciar suas obras

No mês da Consciência Negra, listamos fotógrafos, grafiteiros e artistas plásticos que contribuem para a construção cultural da sociedade

por Redação 24 nov 2021 00h12
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Clube Lambada/Ilustração

mês de novembro é um dos mais importantes no nosso calendário. É quando o movimento negro celebra o orgulho de sua identidade e a mídia coloca os holofotes sobre as questões que eles combatem 365 dias ao ano. O dia 20, Dia Nacional da Consciência Negra, representa a importância dessa data por ser o aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares, símbolo de resistência da luta contra o racismo no Brasil.

Aqui na Elástica, “pautas identitárias” e “conteúdo de diversidade”, nas quais o movimento negro normalmente é encaixado nessas coberturas, são chamadas apenas de “pautas”. Procuramos trazer olhares distintos o ano inteiro e temos um time de colaboradores diverso que nos ajuda a cumprir essa missão. E, neste novembro, seguiremos essa linha editorial com algumas adições, como listas que enaltecem personalidades negras e iniciativas criadas por elas que contribuem para deixar o mercado menos desigual.

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O campo das artes está cheio de talentos e uma lista exaltando as obras de artistas negres não poderia faltar por aqui. São artistas plásticos, grafiteiros e fotógrafos. Ao todo, dez pessoas que colorem o nosso imaginário estão na lista. Confira:

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Ziza - Regina Elsias/Arquivo

Soberana Ziza

A grafiteira Regina Elias, também conhecida como Soberana Ziza, resgata, em suas obras, o poder da ancestralidade e a recuperação da história negra. Em 2011, foi para Berlim divulgar a cultura do hip-hop como um movimento de arte e educação participando do evento City of Hip Hop. No ano seguinte, viajou a Washington a convite do museu Afro Brasil para integrar o Brazilian Mural Project.

A artista se dedica a ilustrar mulheres negras e, para ela, esse protagonismo é essencial porque foram elas que geraram grande parte da cultura brasileira. Sua pesquisa evoluiu para a exposição “Mulheres: Raízes da Conexão”, que pode ser vista neste mês na Galeria Choque Cultural e na Casa Preta Hub. “Todas as mulheres negras e empoderadas sofreram apagamento, embora tenham sido muito importantes na formação da cidade. Eu mesma digo que senti isso em vida”, aponta Ziza à Elástica. “Agora estou usando a minha voz para contar essas histórias perdidas e reafirmar o legado dessas mulheres para que seus nomes não se percam”.

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Robinho Santana/Arquivo

Robinho Santana

Artista visual, pesquisador e músico experimental, Robinho tem formação acadêmica em Design e Fotografia. Sua obra dialoga com a vida e a cultura dos povos negros e mostra a pluralidade de vivências de homens e mulheres periféricos. Sua formação política, que influencia diretamente suas obras, parte da família: ele é filho do líder sindical e deputado federal Vicentinho, do Partido dos Trabalhadores (PT).

No Brasil, sua arte se envolveu em uma polêmica por ser alvo de uma investigação da Polícia Civil de Minas Gerais. Acontece que uma de suas empenas foi feita com uma espécie de moldura com a grafia de pixação. No entanto, é preciso ressaltar que o tema principal da pintura era, na verdade, uma homenagem às mães negras. No exterior, por sua vez, seu trabalho chamou a atenção da apresentadora Oprah, que compartilhou uma de suas obras nas redes sociais.

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Igi Lola Ayedun - Nemini Naubiyi/Arquivo

Igi Lola Ayedun

Apesar da pouca idade, Igi Lola Ayedun já tem uma vasta carreira no mundo das artes. Em 2010, assumiu a co-direção e internacionalização da revista digital U + MAG; já em 2018, foi uma das fundadoras da Escola Efêmera AEAN (Ambiente de Empretecimento da Arte Nacional), uma escola gratuita direcionada para artistas negros e LGBTQ+ que oferece aulas partindo de uma perspectiva decolonial.

Em 2020, ela fundou a HOA, uma uma galeria de arte dedicada à arte contemporânea latino-americana. O local se destaca por ter uma equipe inteiramente negra e propor um modelo híbrido inédito que mescla experiências presenciais e virtuais. Neste ano, fez uma collab com a Renner e criou peças que refletem a contemporaneidade e a cultura brasileira.

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Ilha dos Boys - Kika Carvalho - Prêmio Pipa/Arquivo

Kika Carvalho

Graduada em Artes Visuais na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Kika iniciou aos 17 anos sua trajetória no graffiti, sendo a primeira mulher de destaque a pintar os muros de Vitória e uma das responsáveis pela construção da cena local, com trabalhos em diferentes cidades do país. Desde 2016, sua prática artística se materializa em diferentes suportes, técnicas e escalas, com uma pesquisa mais atenta em torno da cor azul, elemento que se apresenta desde a relação com a paisagem da cidade-ilha até suas contradições na história da arte.

Pode-se dizer que o ano de 2021 foi transformador em sua carreira, já que participou da exposição Enciclopédia Negra, na Pinacoteca de São Paulo, além de pintar sua primeira empena no Festival de arte urbana NaLata.

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Brantman/Fotografia
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Chris Clark

O pintor contemporâneo norte-americano, também conhecido como Cooli Ras, pinta em tempo integral! Ele tem uma página do Instagram como principal meio de divulgação de seu trabalho – e lá, possui cerca de 38 mil seguidores. “Gosto de falar sobre minhas experiências de vida pessoais e da minha perspectiva de jovem negro na América. Meu objetivo é explorar questões sociais, culturais e a história da comunidade negra na diáspora e no exterior. Eu não quero que minha arte seja apenas vista, eu quero que ela seja experimentada”, declara, em seu site oficial. Após passar por mais de 50 exposições pelo mundo todo, suas obras agora se consolidaram como um retrato sensível da figura humana.

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Matheus Leite @matheusL8/Fotografia

Matheus Leite

O fotógrafo baiano, também conhecido como Matheus L8, foi o primeiro brasileiro a levar prêmio mundial de fotografia da Sony, em 2020. Com o ensaio “Afrocentrípeta”, feito nas Dunas de Diogo, no litoral norte da Bahia, ele procurou retratar a criação de uma identidade coletiva dos povos negros e sua metamorfose durante a época em que o tráfico negreiro provocou o encontro de diferentes povos africanos.

Natural de Salvador, Matheus trabalha com fotografia desde 2015 e cursava licenciatura em História na Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas nunca chegou a concluir, pois começou a trabalhar tirando fotos de eventos. Hoje, ele também é cantor e já retratou artistas como Jau e Carlinhos Brown.

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Pétala Lopes/Fotografia

Jeff Alan

O artista pernambucano Jeff Alan reinventou seu processo criativo após a pandemia da covid-19. Foi daí que surgiu a série “Olhar Para Dentro”, que consiste em retratos de pessoas com traços marcantes feitos em lápis coloridos. O artista contou à Elástica que, em sua nova fase, também pinta imagens de pessoas negras “vencendo na vida”, “portando coisas boas”, como jóias de ouro, e “conhecendo lugares incríveis”, que antes eram “dominados por pessoas brancas” — e isso não se trata de ostentação, mas de representatividade.

O curioso é que Jeff é daltônico e, por este motivo, as cores que mais lhe agradam são o amarelo e azul. Seu trabalho já passou por países como Portugal, França, México e Estados Unidos.

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Rosa Luz/Arquivo

Rosa Luz

A artista visual, ativista e rapper combate a transfobia e o racismo através de seu trabalho. Em suas letras, fotografias e performances é possível encontrar o questionamento de uma sociedade heteronormativa, elitista e cheia de preconceitos. Aos vinte e poucos anos, a brasiliense já estudou história da arte na faculdade, mas decidiu trilhar um caminho artístico autônomo depois de passar por uma série de constrangimentos.

Em 2016, ela ganhou holofotes com um autorretrato que continha a frase “E se a arte fosse travesti?” — feito para cobrar mais inclusão do circuito artístico. Três anos mais tarde, foi selecionada para participar do International Visitor Leadership Program, programa de intercâmbio do Departamento de Estado dos EUA. Atualmente, também cria conteúdo para o Youtube e tem mais de 40 mil inscritos.

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Cortesia da galeria David Zwirner/Divulgação

Maxwell Alexandre

Nascido na Rocinha, onde ainda mora e trabalha, o artista plástico Maxwell Alexandre de 30 anos abriu espaço no seletíssimo mundo das artes plásticas e tornou-se uma promissora e singular revelação. O reconhecimento de seu talento por críticos, colecionadores e colegas ilustres deu-se em ritmo vertiginoso. Com obras exibidas desde o Museu de Arte Contemporânea Africana, Museu de Arte Contemporânea de Lyon, o MAM-Rio até o MoMA, em Nova York, ele ganhou o mundo.

Após experiências pela arte abstrata, em que já explorava elementos da favela como lonas, tijolo e sujeira, passou a incluir em suas pinturas figuras, cenas e elementos do seu entorno, das vielas ao universo pop de sua geração. A inspiração brota a partir do que ele vê, mas também do que ouve. Até janeiro, obras de sua autoria podem ser vistas na exposição sobre Carolina de Jesus, que está em cartaz no IMS Paulista.

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Bianca Leite - fetos/Arquivo

Trovoa

É no contexto de lutar por mais espaço para mulheres racializadas dentro das instituições que atua o Levante Nacional Trovoa, coletivo feminista interseccional composto por mulheres de todas as regiões do Brasil. O movimento surgiu em 2017, a partir de quatro artistas no Rio de Janeiro: Ana Almeida, Ana Clara Tito, Carla Santana e Lais Amaral. Todas muito jovens – não só de idade, mas também de produção artística –, elas se organizavam em um ateliê que dividiam e faziam encontros e rodas de conversas e, aos poucos, a iniciativa ficou conhecida por outras artistas cariocas, que acabaram ingressando no movimento.

Nesse processo de mentoria e assistência, em que uma mulher levanta a outra e todas crescem juntas, as trovoas que têm mais conhecimento das estruturas do mercado artístico atuam rastreando editais e criando conexões com as instituições. As mais inexperientes, por outro lado, não são nem de longe desprezadas nesse processo e usam como combustível a motivação e a vontade de fazer arte – caso das mulheres que fundaram o Trovoa, inclusive. Para fazer parte do Levante Nacional Trovoa, basta estar interessada e entrar em contato com o movimento pelas redes sociais. Como tudo é feito de forma orgânica – e são muitas as mulheres artistas que querem participar –, as articuladoras costumam se organizar localmente para atender às demandas.

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