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Manda nudes?

Criamos um guia com tudo o que você precisa saber antes de enviar aquela foto sensual pro crush

por Beatriz Lourenço Atualizado em 14 mar 2022, 14h41 - Publicado em 11 mar 2022 00h20
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Beatriz Shiro/Ilustração

 tecnologia mudou totalmente a forma como nos relacionamos. Com ela, chegaram os aplicativos de namoro, os chats instantâneos e, claro, o chamado sexting. O termo é a junção das palavras “sex” (sexo)  e “texting” (escrevendo) – ou seja, é todo o conteúdo erótico compartilhado entre as pessoas em uma conversa. Segundo um estudo divulgado pela revista científica Journal of the American Medical Association Pediatrics (JAMA), a atividade é mais comum entre jovens com menos de 18 anos, que contribuem com 25% do recebimento desse material.

Com a pandemia de covid-19 e a necessidade de isolamento social, o sexo também foi afetado – e a prática se tornou uma saída para o tesão acumulado. Um levantamento do aplicativo Happn no Brasil apontou que 31% da população já aderiu à tendência, sendo que 15% experimentou o formato pela primeira vez nos últimos anos. Na enquete, 16% optou por usar frases escritas, 10% enviou imagens e 5% preferiu os vídeos – e não precisa se envergonhar, esse é um movimento saudável que pode trazer benefícios para a relação e para si mesmo.

Já ouviu falar no Livro dos Nudes?

As imagens e vídeos são os famosos nudes. Mas, por que enviá-los? Bom, segundo a sexóloga Carla Cecarello, eles funcionam como uma provocação que insinua o que o outro pode ter, além de estimular a imaginação, já que nem sempre as imagens são explícitas. “É como se alguém falasse: mais tarde vai ter isso aqui, ó”, explica. Se você ficou inspirade e já está com a câmera na mão, saiba que preparamos uma espécie de guia do que é necessário saber antes de enviar a foto do corpinho. Confira:

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    Beatriz Shiro/Ilustração

    Apimentar a relação

    De tempos em tempos, os relacionamentos precisam se reinventar para não ficarem monótonos ou caírem na rotina. Para Carla, enviar imagens sensuais pode ajudar o casal porque trazem um estímulo a mais e apimentam a conversa entre os parceiros. “É possível mandar em qualquer dia e horário como forma de provocar o outro e apresentar algo novo ao casal”, explica. “Geralmente, não há um momento certo de enviá-las porque a ideia é a surpresa.” Porém, aconselhamos que você se certifique que a pessoa não abra a mensagem no trabalho – NSFW (not safe for work).

    Se você está de conversinha com o crush, o conteúdo proporciona aquele frio na barriga antes do date. Aqui, é ideal ter certeza de que você não está por aí enviando para quem não quer. Afinal, assédio é crime. Outro conselho da sexóloga é não exagerar na quantidade: “Como o nude é idealizado para causar um suspense, à medida que é mandado com uma frequência alta, pode acabar cansando e tirando o ar de mistério.”

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    Beatriz Shiro/Ilustração

    Segurança em primeiro lugar

    No caso do flerte, há outro cuidado que precisa ser tomado: é recomendado que o nude não seja exposto a ponto de identificar quem está mandando. Esconda o rosto, aquela pinta que só você tem ou suas tatuagens. Você pode pensar nisso tanto na hora de fotografar, quanto nos apps de edição de imagem. 

    Ainda não há um método totalmente seguro de envio, mas existem ferramentas de apagamento automático que são boas opções, como o direct do Instagram, o Telegram e a opção de visualização única do próprio Whatsapp. O Snapchat, por sua vez, ainda possui um sistema de aviso caso a pessoa tente tirar uma captura da tela. Caso você salve as fotos na galeria do celular, prefira bloquear o aparelho com senha e ative um programa que permita apagar suas informações caso ele seja roubado.

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    Beatriz Shiro/Ilustração

    Crie um clima relax

    O nude vai além de uma foto enviada para a contemplação alheia. Ele também consiste no ato de olhar para si. “Isso pode ser considerado um ato de transformação que fazemos em nós mesmos porque aprendemos mais sobre quem somos e o que gostamos”, afirma a fotógrafa Ana Harff

    O momento do clique pode – e deve – servir para você explorar sua própria sexualidade e sensualidade. Além disso, contribui para que as pessoas tímidas se sintam mais confortáveis consigo mesmas e mais relaxadas para abordar o sexo no dia a dia. “O primeiro passo é começar fotografando para si mesmo, sem o objetivo de enviar para alguém. Apenas para apreciar o resultado”, revela Carla. Colocar sua música favorita, tomar uma taça de vinho e criar um ambiente relaxante pode influenciar no resultado. 

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    Beatriz Shiro/Ilustração

    Luz e cenário

    É muito importante conhecer a luz que o ambiente proporciona – seja natural ou não. A cada hora do dia, ela vai se comportar de uma maneira diferente, influenciando no resultado. “Tons frios, por exemplo, nos remetem mais à sensação de intimidade e de contemplação. Já os quentes, associamos à paixão e à exteriorização”, diz Ana. 

    Elementos como abajur, luminárias ou aquela lâmpada mais fraquinha são opções que proporcionam a iluminação perfeita para esse estilo de foto. Para o cenário, aposte em espelhos, brinque com as texturas de tecidos e acrescente elementos que trazem sensualidade, como chicotes e vibradores

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    Beatriz Shiro/Ilustração

    Câmera

    Se você não tem uma câmera profissional ou quer um resultado mais rápido, não se preocupe! É possível registrar o momento apenas com o celular. Vale experimentar aplicativos de edição como o Darkroom, o Snapseed e o Snow. Eles funcionam para deixar as fotos mais escuras ou claras, com mais ou menos contraste e até dar aquele granuladinho que todo mundo gosta. Já para um visual mais diferentão ou retrô, teste apps como o Huji Cam e o Nomo. 

    Se sua intenção não for enviar uma foto mais explícita, é possível jogar com o recurso dos emojis. Cole-os em cima das suas partes íntimas ou do que você quiser cobrir. Tente o diabinho, a berinjela ou o pêssego. Além do tesão, você irá garantir umas boas risadinhas.

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    Beatriz Shiro/Ilustração

    Ação!

    Segundo a fotógrafa Ana Harff, conhecer o seu corpo e entender o que você gosta em si é essencial para a criação da imagem. Para ela, o mais legal é criar uma narrativa que mostra quem realmente somos. Nesse caso, é importante pensar na roupa, nos elementos de cena e nas poses – uma que vai muito bem para mulheres, inclusive, é deitar de barriga para baixo e empinar o bumbum. 

    “Temos um certo vício na hora de olhar para nós mesmos e acabamos procurando um só ângulo. Isso acaba nos levando às mesmas poses”, afirma. “O que eu sempre sugiro é se conhecer de todos os lados para criar uma relação mais amável com seu corpo. A partir daí, acabamos desconstruindo a ideia de padrão imposto pela sociedade e nos sentimos mais livres para mostrar quem somos.”

    Juntar referências de fotógrafos é um passo importante para pensar no acting. Mas saiba que cada um de nós tem possibilidades e limitações diferentes. Nas plataformas de imagens como o Pinterest e o Instagram, há inúmeros profissionais com um portfólio online para você se inspirar. “É preciso entender que cada corpo é único e se movimenta de maneiras únicas, não necessariamente será possível copiar aquela foto que você gostou. Mas isso te dá mais possibilidades para criar”, explica Ana. 

    apoie

    Uma dica especial para os homens é fugir da dick pic – aquela foto em que só aparecer o pênis – e pensar mais no contexto todo. “É mais legal receber uma foto que dê a entender que o cara explora seu corpo todo, não só o pênis”, conta a influencer Krishna. “Aquelas que mostram as pernas, a bunda e o peitoral, por exemplo, são as que mais me atraem. Para falar a verdade, as que só mostram o pênis são as mais broxantes”.

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    Vazou, e agora?

    Além da violação da confiança, quem vaza nudes viola a lei. No Brasil, o ato é considerado criminoso e a responsabilidade não é só de quem obteve as imagens mas também de quem as compartilhou. Ou seja, não dê prints e nem divulgue para os amigos. Se o conteúdo foi obtido por meio de invasão, é considerado um crime cibernético que se enquadra na lei “Carolina Dieckmann” (Lei 12.737). A pena é multa e detenção de 3 meses a 1 ano. 

    “Caso você tenha sido vítima, o ideal a se fazer é armazenar os registros que comprovem o repasse ilegal das imagens, inclusive registrando as provas em cartório através de uma ata notarial”, explica a advogada Tayná Nosete. “Além disso, é importante registrar um boletim de ocorrência na delegacia em delegacias especializadas, apresentando todas as provas pertinentes. Também é possível ingressar com um processo para pedir indenização por danos morais.”

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    As imagens que você viu nessa reportagem foram feitas por Beatriz Shiro. Confira mais de seu trabalho aqui.

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