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O ABC do gay cruising

Gratuitos, consentidos e anônimos, os encontros sexuais rápidos e fáceis em locais públicos expõem prazer, tensão e vulnerabilidades. Mas não apenas isso

por João Vitor Araújo Atualizado em 19 jan 2022, 16h05 - Publicado em 14 jan 2022 06h37
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Cauê Xopô/Ilustração

“É rápido, fácil e ninguém fica enchendo o meu saco depois. A gente goza e já era”, me disse Fernando*, quando eu perguntei por que ele praticava sexo com desconhecidos e muitas vezes em lugares públicos. 

Quando se entendeu homossexual, aos 14 anos, não tinha nenhuma ideia de como sexo poderia funcionar para pessoas como ele. Na escola, as cartilhas sexuais não incorporavam  sua realidade – em todas as aulas de educação sexual, a pauta era quase sempre reprodução e nunca sobre prazer e formas não-heteronormativas de transar. Ele não se sentia representado ali, descobrindo mais sobre sua sexualidade anos depois com a pornografia

“Sexo em casa era tabu, ninguém tocava no assunto. Eu só fui adentrar esse universo que hoje é tão natural pra mim quando comecei a me tocar assistindo pornô. Só ali vi gente como eu, se relacionando, gozando e sendo feliz”, conta.

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Nessa mesma época, o jovem arquiteto começou a buscar no Facebook pessoas que curtiam a mesma coisa que ele, até que um dia encontrou um grupo na rede social de homens gays e admiradores de sua cidade. Lá, fez amizade com um rapaz um pouco mais velho e engataram um romance on-line – embora vivessem a dois bairros de diferença. Quando finalmente se conheceram, três meses depois de muita conversa, Fernando e o affair transaram. A experiência, no entanto, não foi tão agradável como ele imaginava e, por isso, decidiu terminar o caso, a fim de descobrir novas possibilidades em novas pessoas.

“Percebi que namorar, casar e essas coisas não era pra mim. Sempre preferi a minha própria companhia e me sinto mais à vontade só para transar, mamar, dar uns beijos e ir embora. Assim, não assumo nenhuma responsabilidade propriamente afetiva e não me sinto mal por ter criado expectativas ou coisa do tipo. Hoje, de tão recorrente, virou algo natural e escolhi viver assim.” 

Embora não seja debatido de forma escancarada, o Cruising – do inglês cruzeiro –, como é conhecida a prática sexual anônima, gratuita, com consentimento e geralmente realizada entre homens em locais públicos (parques, trilhas, praias e estacionamentos) é uma realidade implícita que vai muito além do sexo.

“Percebi que namorar, casar e essas coisas não era pra mim. Sempre preferi a minha própria companhia e me sinto mais à vontade só para transar, mamar, dar uns beijos e ir embora. Assim, não assumo nenhuma responsabilidade propriamente afetiva”

Fernando*

Segundo Victor Hugo Barreto, doutor e antropólogo nas áreas de sexualidade, gênero, saúde e conflitos, a história da pegação em locais públicos existe desde que o mundo é mundo, sendo intensificada conforme as cidades foram se desenvolvendo a partir da urbanização do espaço público. Pode-se dizer, ainda, que o cruising é um comportamento de resistência, visto que pessoas LGBTQIA+ sempre tiveram seus espaços – sexuais, físicos e sociais – negados pelas instituições, ainda que, em alguns períodos da história, tenhamos vivido avanços em relação à liberdade sexual. 

“Sempre tem um certo padrão de uso e reconhecimento do espaço público através dessas práticas sexuais. Antes, acontecia na rua porque não tinha um lugar específico para essas pessoas, não tinha uma boate gay, não tinha um lugar para eles. Essas coisas aconteciam no velho esquema da discrição, do sigilo, porque aquilo não poderia se sobressair, não poderia ser visível as outras pessoas. Tudo isso acontecia numa troca de códigos e símbolos que eles conheciam, desde o olhar em que você identifica um semelhante até a cor da gravata [estratégia de identificação entre homens gays que permitia a representação de sexualidades e comportamentos dissidentes],  citadas por João do Rio em algumas de suas crônicas”, explica.

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Cauê Xopô/Ilustração

Riscos

Fernando não está sozinho em suas preferências. Igor*, também iniciou a vida sexual com pessoas que conheceu na internet por meio das mídias sociais. O motivo, ele explica, é que tinha medo de se assumir bissexual porque via muito na televisão sobre assassinatos de pessoas LGBT e temia ser expulso de casa ou até mesmo violentado pela própria família, que seguia uma doutrina cristã pentecostal, reproduzindo discursos de ódio contra pessoas “do mundo”, como eles diziam. 

Na adolescência, tinha namorado e quase se casou com uma garota da igreja, porém nada daquilo fazia sentido. Passou a pesquisar mais sobre sexualidade e gênero e, apesar de tudo ao seu redor lhe provocar contra, não tinha como fugir de quem realmente era. Numa dessas pesquisas, Igor quis saber como poderia conquistar outros meninos e saber se eles também 

“Quando completei 18 anos, instalei o Grindr. Fiquei espantado no começo, mas logo me adaptei. Ignorava e era ignorado, até que notei que tinha um conhecido lá, um cara que estudou comigo e trocamos ideia. Quando transamos pela primeira vez, no banheiro do shopping, nunca me senti tão livre e disposto a me entender como homem (e bissexual)”. 

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Cauê Xopô/Ilustração

Na escola, assim como Fernando, Igor não teve sua história exemplificada nas cartilhas de educação sexual e não sabia quase nada sobre como se prevenir da maneira correta, métodos contraceptivos e sobre as vulnerabilidades a que estava sujeito. Numa foda rápida e sem grandes pretenções, contraiu sífilis e só soube porque um amigo insistiu para que eles fizessem um teste rápido em uma campanha de conscientização promovida pelo Centro de Testagem e Aconselhemento (CTA) de sua cidade. Na hora, seu mundo caiu, mas foi encaminhado, tratado e aconselhado pelos profissionais, a quem nutre uma grande gratidão. “Se eu não tivesse recebido o diagnóstico, talvez eu tivesse contraído outras infecções e o pior: infectado mais e mais pessoas”.

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Quando falamos de sexo, também falamos de assumir riscos. Em 2019, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de um milhão de brasileiros com 18 anos ou mais contraiu algum tipo de Infecção Sexualmente Transmissível (IST). E mais: temos aproximadamente 74 milhões de mulheres engravidando anualmente em todo o mundo sem intenção, diz a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essas informações revelam a necessidade do desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção e conscientização da população,  em particular dos mais vulnerabilizados.

No cruising, como tudo é muito rápido e em geral impessoal, é comum vermos casos em que a pegação rola sem camisinha, apesar de trocas de fluídos entre os parceiros. Para Vinícius Borges – ou Doutor Maravilha, como é conhecido pela internet e pelos pacientes –, médico infectologista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG) e especialista em sexualidade, a prática carece de uma das partes mais importantes da prevenção: a conversa.

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Cauê Xopô/Ilustração

E o tema precisa ser discutido sem moralismos: “Para tratar de cruising, de pegação, seja um lugar público ou em lugar privado, em hotel, na casa, onde for… a gente tem que entender que as pessoas transam, sempre vão transar e é bom que seja assim. A gente tem que fornecer essas ferramentas para que ela possa praticar da maneira mais saudável possível”. 

“Para tratar de cruising, de pegação, seja um lugar público ou em lugar privado, a gente tem que entender que as pessoas transam, sempre vão transar e é bom que seja assim. Precisamos fornecer ferramentas para que ela possa praticar da maneira mais saudável possível”

Vinícius Borges

A partir do diálogo, é possível saber se a pessoa é tem a sorologia indetectável, se usa camisinha e se as vacinas estão em dia. Tudo isso contribui para uma troca mais saudável. Além disso, existem outros métodos de prevenção disponíveis no mercado e distribuídos gratuitamente pelo SUS. É o caso da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), que consiste na tomada diária de um comprimido que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o vírus HIV, e da Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP), medida de prevenção de urgência para ser utilizada em situação de risco à infecção pelo HIV. Medidas como testagem regular, vacinação em dia, prevenção combinada também são atitudes eficazes contra o contágio de ISTs. 

Outro cuidado importante na hora de decidir praticar ou não o cruising é lembrar que, além de trazer riscos à saúde de quem o faça, a prática de sexo ao ar livre ou em locais pouco convencionais é ilegal. O artigo 233 do Código Penal Brasileiro destaca que praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público configura crime que pode levar à detenção de três meses a um ano. A pena também pode ser pagamento de multa. 

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Cauê Xopô/Ilustração

Pegação 2.0

Se nos anos 1960 os encontros sexuais eram organizados estrategicamente, fugindo da repressão sexual – e institucional – que estava instalada no país, atualmente basta um download e pronto: sexo gratuito onde quer que você esteja. Isso é um reflexo do nascimento das redes sociais e a febre do uso de aplicativos entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000. 

Além dos conhecidíssimos Instagram e Snapchat, aplicativos com o objetivo de promover encontros e paqueras bombaram e continuam bombando em todo mundo. É o caso do Tinder, que possui aproximadamente 340 milhões de pessoas cadastradas. Nele, os usuários escolhem uns aos outros com base em suas características físicas, gostos pessoais e há quem diga que só clica no “coraçãozinho” após ser impactado por uma bio bem escrita. Entretanto, o app se distancia um pouco de quem busca algo mais rápido, prático e despretensioso.

Para aqueles que procuram encontros casuais, fáceis e rápidos, é impossível deixar de citar a dupla Grindr e Hornet. Os dois são os aplicativos de putaria mais utilizados, sobretudo por homens (cis e trans) gays e bissexuais. Porém, a única plataforma com o objetivo de promover pegação causal, consensual e que até possui um espaço para que os usuários compartilhem experiências e recomendações é o site Gay-Cruising, presente em diversos países – o Brasil ocupa o 2º lugar no Top 10 Regiões onde o site é mais acessado.

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Cauê Xopô/Ilustração

Nenhuma plataforma compartilhou dados com a Elástica sobre métricas e informações dos usuários até o fechamento desta reportagem, com exceção do Grindr que, pela privacidade e segurança dos usuários, alegou que não compartilham status específicos sobre eles baseados em suas respectivas regiões e países. 

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Segundo Bruno Puccinelli, cientista social que estuda sobre cidades no diálogo com gênero e sexualidade, os aplicativos representam um novo momento dessas relações sexuais mais efêmeras. No entanto, eles não substituíram os parques e banheiros públicos: “Não necessariamente as pessoas que têm aplicativos no celular vão deixar de fazer pegação porque têm dinâmicas de desejos e interesses que são diferentes. Acho que a gente pode chamar isso de Cruising 2.0 com algumas ressalvas, porque a lógica é diferente, né? Os aplicativos estão inseridos na lógica da escolha de um michê, de um garoto de programa, mesmo que você não pague, porque tem um monte de coisas que são acertadas antes da efetivação do encontro – que, no caso do Cruising 1.0, vamos dizer assim, os acertos são muito pontuais, muito inseridos numa simbologia compartilhada que não é tão falada (olhares, gestos, aproximação) até que alguma coisa aconteça”.

“Os aplicativos estão inseridos na lógica da escolha de um michê, de um garoto de programa, mesmo que você não pague, porque tem um monte de coisas que são acertadas antes da efetivação do encontro”

Bruno Puccinelli

Ainda que os aplicativos focados em sexo casual tenham revolucionado as transas, a pegação não deixa de ter (muito) espaço dentro das mídias mais antigas. Lançado em 2006, o Twitter hoje, além de reunir tuítes e RTs de anônimos e pessoas públicas, é um espaço de descontração e abrange perfis de atores de vídeos adultos, influenciadores sexuais e contos eróticos. Além disso, a rede atrai a galera que curte cruising, com contas que revelam indicações de banheiros públicos – os famosos banheirões – e outros points de pegação pelas cidades mundo afora. Na Elástica falamos um pouco disso aqui. 

O criador de conteúdo adulto Mamador Insaciável ZO (@boyinsaciavel) tem nove mil seguidores na plataforma e viu a oportunidade de explorar um fetiche pessoal de ser visto e apreciado nas redes. “Uso minha conta apenas para assistir vídeos, conhecer pessoas novas para transar e gravar, e postar meu conteúdo. Hoje, ele é 100% gratuito. Faço isso por puro prazer! Encontros acontecem como consequência, mas o objetivo principal é satisfazer meus seguidores. Isso me dá prazer e me estimula a gravar mais”, explica. 

Com AndFlix (@AndAndflix), também criador de conteúdo, a história não foi muito diferente. O jovem tinha muitas fotos e vídeos revelando sua tara em sexo em locais públicos, mas não sabia o que fazer com aquilo, até que viu na rede do passarinho a oportunidade de fetichizar o seu cotidiano. “Gosto de lugares livres, de lugares abandonados, de lugares comuns. Quase nunca vou pra motel, tenho nojo, e na minha conta tem muito encontro, mas não tem muita gravação, porque a minha intenção com meus vídeos é que eles sejam em lugares diferentes, né? É muito trivial você foder no conforto do seu lar. Isso é muito comum e eu não gosto do comum”. 

“Uso minha conta para assistir vídeos, conhecer pessoas novas para transar e gravar, e postar meu conteúdo. Faço isso por puro prazer! O objetivo principal é satisfazer meus seguidores. Isso me dá prazer e me estimula a gravar mais”

Mamador Insaciável ZO
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Cauê Xopô/Ilustração

E as mulheres?

Apesar de mais comum entre os homens homo e bissexuais, o cruising não se restringe apenas a eles, apesar de ser mais comum. No caso das mulheres (cis e transsexuais), a busca por sexo é feita de forma diferente. É recente a história da mulher com o prazer pelo prazer e do comportamento sexual de mulheres trans desvinculado da prostituição e da exploração sexual. Ambas tiveram suas performances e vivências marginalizadas e seus direitos, inclusive aos próprios sentimentos negados. 

Segundo Renan Quinalha, escritor, professor de direito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ativista no campo dos direitos humanos, as mulheres sempre foram educadas e reprimidas para ficarem no espaço privado, do lar, espaço doméstico, fazendo as tarefas de cuidado. Isso sem dúvida influenciou a maneira como elas vivenciaram também suas experiências sentimentais, afetivas, sexuais. O professor ainda explica que há muito mais registros de mulheres lésbicas que tiveram experiências com pessoas próximas numa troca de intimidade, que frequentavam a própria casa numa troca de intimidade que é muito mais permitida à mulher do que aos homens. 

“Em relação aos homens, tem essa masculinidade que permite ter o prazer,  mas não um vínculo afetivo. Uma pegação casual é muito isso também, né?  Vai ali, tem prazer, uma relação e acabou. Para as mulheres, é diferente. As cidades foram projetadas e pensadas por homens e para homens, por isso elas nunca tiveram esse espaço nesses pontos também de pegação, e muito menos em bares reservados às mulheres, o que é comum para homens gays”. 

“Existe uma masculinidade que permite ter o prazer,  mas não um vínculo afetivo. Para as mulheres, é diferente. As cidades foram projetadas e pensadas por homens e para homens, por isso elas nunca tiveram esse espaço nesses pontos de pegação”

Renan Quinalha

Já no caso das mulheres trans e travestis, diferentemente das mulheres cis-gênero, o grande desafio é fazer com que elas sejam reconhecidas em seus respectivos afetos, nos seus desejos, nas suas formas de ser e estar no mundo, para além dos estigmas impostos pela sociedade, associando-as à marginalização, ao trabalho sexual e a exploraçao sexual dos seus corpos como objetos e nada mais. 

Para transativista Jaqueline Gomes de Jesus, doutora em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora em cultura, identidade diversidade, para que a vivência dessas mulheres seja desvinculada desses estereótipos, é necessário que haja uma ação coletiva de reconhecimento desse grupo, a fim de desnaturalizar o olhar marginal sobre vidas (e corpos) trans

“São ações afirmativas para a inclusão nas universidades, no mercado de trabalho e na política. São iniciativas de educação – não necessariamente das pessoas trans, mas de educação das pessoas cisgêneras, das pessoas não-trans para valorização. Não é só aceitação, não é só tolerância, mas valorização da população trans como companheira, parceira de trabalho, como aquela que está junto contigo e não é pior ou melhor do que você por causa da sua identidade de gênero.” 

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*A pedido dos entrevistados, alguns nomes foram alterados para preservar suas privacidades.

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As imagens que você viu nessa reportagem foram feitas por Cauê Xopô. Confira mais de seu trabalho aqui.

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